domingo, 28 de dezembro de 2014

pé sem cabeça

Então, em um ato súbito de lentidão, começou a caminhar.
Primeiro, em passos bem curtos e ritmados, como se estivesse tentando chegar à solução de um problema matemático. Em seguida, embaralhando os números, seus passos se descompassavam e as passadas se fizeram mais largas e com intervalos irregulares. As lacunas de uma teoria infundada e afundada em múltiplas direções.


Primeiro, pensava, deve-se selecionar e circundar os elementos desta problemática. Em seguida, deveria fazer tantas combinações possíveis entres os elementos. Seguindo este método, pegou os elementos que tinha a mão ou, melhor dizendo, em seus pés, e foi misturando misturando a tal ponto que seus pés foram se multiplicando e já quase não existiam, ou melhor dizendo,  se transformaram em pontes, estradas, curvas setas horizontes. 

TODO
Todo esse relevo não significava nada.
Fincou um pé no chão e ali escreveu.
Parte 1: Problema não tem solução tem construção.
Enquanto isso o outro pé fazia dançar os dedos fora do sapato a fim de coordenar melhor os sentidos de cada direção. Dedo 1, dedo 2, dedo 3...

FORA
Parte 2: Um corpo tem dois pés e uma cabeça. Ou um problema vem do dois ou dois problemas vem de um.  Um dois um dois um...

PARTE
Parte 3: Um problema não tem partes. Tem fases?
Enquanto calçava o sapato, viu passar uma pessoa que havia sido vizinho na rua onde morava. Quis acenar com as mãos, mas elas estavam finalizando o laço. Então fez um leve movimento com a cabeça e um breve descolar dos lábios em ato de simpatia.

A CENA

Seguia caminhando e, de repente, tropeçou. O dedão inchou. Devidas às proporções, dedão tal qual cabeça. Pensou.

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