quarta-feira, 17 de abril de 2013

pra te ver

quem sofre...
quem sofre de alegria irradiante,
eu pensava em dizer.
e meditei na conjugação do sofrer alegre,
sofre quem é alegre.
eu me alegro em pensamento:
 a alegria e a sofridez são
espaços de compreensão.
eu estou triste, eu estou alegre,
de fato, não causam a mesma impressão
no mundo. porém elas abarcam
uma dimensão desse estar no mundo.

se você sofre pra ficar alegre me parece até bom,
em julgamento. se você alegra pra ficar
triste, ai coloco uma interrogação. mas sera
que o ciclo disso tem um começo num
estado ou no outro, ou são aspectos particulares
de um possivel vir a ser?

então, yin e yang estão ai mesmo
dando uma clara demonstração.
e dando vaga para dualidade
tonificar nossa concepção.
é uma marca forte...

existe também um sofrimento alegre, ou
uma alegria triste, ou uma tristezinha
alegrona, ou uma alegria tristona e por ai vai.
num falo de sofrer em des-amor, ai é so triste mesmo.
alegria soa diferente,
é independente, anda sozinha,
é ouvido plexo, estalo
de olho, estouro de boca, e tem duração.

tristeza também, mas é outra combinação.
mas é quântico tudo isso, estão unidos,
tem tendências a existirem sozinhos
ou acompanhados, mas estão sempre latentes.

ai, penso em você e sinto as duas coisas juntinhas...
é bonito em demasia essa partilha dos polos em atuação.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

em mãos

"A despigmentação da tua palavra
me incita, me entristece

Acho que atrai alguma sombra minha
algum elo da nossa fraqueza

Essa despigmentação irregular
que nos atiça
é antes uma sombra recriada uma forma ainda de esperar

Quando não esperarmos mais - e nem ainda -
escondo a tua sombra nesta mão. "

(Mecha branca de A. C Cesar)

domingo, 7 de abril de 2013

horario de luz natural do pacifico

não poderia ficar assim, porque não é do silêncio que irrompe a crença
e sim de um ruído oblíquo e oco, desapontando imensidões.

foi por causa ou efeito de uma frase, ou de uma sequência de atos-diálogos
que perseverou na mudez espantada, e no barulho intrínseco:
e pensou assim, a violência têm muitas arestas.

e (prefiro atestar)
nunca acreditou em pontas, mas em curvas ou margens.
mas a violência é o tapa que estampa, acreditem,
aquilo que não pode continuar.

poderia ser assim,
tava indo indo, de mãos dadas com o ar,
respirando dentro da linha, e dentro da linha pode
ter toda sorte de estridência,
(porém isso não quer dizer que um estria não seja fluida ou contínua);
mas da violência, cai um não-sei-que,
é a pose na capa da revista,
é só estridência sem linha.

e tava indo indo,

(engraçado como a gente relê o que escreveu depois de um tempo e é-se um outro; não me lembrava mesmo disto, mas acredito que foi escrito em golpes na epoca da criação do "diga-se de passagem". não acho bom, mas tem um pensamento intrigante.ah, detalhe, o titulo foi o proprio blog que me deu de presente.)