segunda-feira, 5 de agosto de 2013

as flechas foram lançadas,
o barco atravessou o rio,
a arvore apogeu na montanha,
o pássaro cantou no galho
enquanto do barco se olhou a margem
enquanto da flecha verteu sangue
enquanto da montanha estremeceu o rio
que levou o pássaro no galho
e o barco apogeu na montanha
que cantou com a flecha em seu peito
que verteu margem para esse amor distante.
o rio deixou o barco. a arvore desceu a montanha.
o pássaro voou longe. e o amor,
ah o amor, esse correu feito louco pra salvar a flecha
de tremer no vão.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Saiba
quando te vi desfilar
nos meus brotos de pensamento
germinei no sonho
um ramo reluzente
inundação
um mundo em contemplação.
Valha
quando o divino se investigar
nunca é tarde pra chegar,
cada passo é paisagem
do olhar,
na coberta de um raio
no acalento de uma estrela.
Não se pode duvidar,
o amor arde, espanta
e expande.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

o que constrange acola
parece ceder nas paredes-paredes
como uma aparição.
assombra os laços.
espalha sombra nos prados
da imaginação.
espalha realmente essa atenção
das arvores para o vento,
estimulo da solidão.

dimensões, coração
miragem, decurso de uma confissão.
a calma, a forçura  da minha construção.


sexta-feira, 24 de maio de 2013



Era uma vez...
a historia poderia começar assim,
mas não vai, porque ela continua
sendo, na verdade ela não começa.
A historia não tem passado, pode
ser que ela só tenha acontecido no
momento em que eu olhei esse
muro na rua dizendo:
«So vim te ver
pra lembrar quem sou.»
E eu gostei disso. Fiquei
pensando nisso, fiquei
sentindo, reverberando.
Coloquei você na frente
e vi no que dava.
E então tem uns dias isso,
por isso talvez poderia ser
uma historia, e ela é também
porque eu quero te contar.
E contar algo parte
dessa coceirinha.
Mas o fato é que
te ver, mesmo aqui dentro,
me faz lembrar sim quem eu sou.
Lembrar não no sentido de resgatar
algo perdido, mas de celebrar
o que é estendido, e então
de repente você esta na rua
e se da conta de que você
não caminha só com suas pernas,
mas que a gente é mesmo centopeia.
E eu adorei ficar viajando em outras
pernas, em outros olhos. Quando
a gente vê alguém assim
dentro da gente, a gente melhora
o andar, o pé planta raiz semeando
o horizonte infinito da existência.
Continuando:
passei alguns dias em frente da frase
e dali seguia sorrindo.
Num outro dia fiquei com vontade
de te dar um livro, porque
to lendo um cara gente boa mesmo,
e tenho certeza que você ia se divertir com ele.
Ele é engraçado e é filosofo e eu gosto dessas
duas qualidades. E o tal punhado de palavras
que escolhi te dar também começa com essa
coisa do ir de encontro a... porque esse «vim te ver»
é um encontrão não acha?
«Vem ver o dia crescer entre o chão e o céu»,
também da num encontrão num da? Porque o verso
não diz «Vai»...Vim e Vem: os dois sugerem um deslocamento
em companhia de alguma coisa que é maior, que esta ao lado
e não esta, mas que caminha junto. Enfim, vou deixar
o livro pra você em algum lugar, e poderei dizer
eu vim te dar o livro, vem pegar.
Bom , no domingo, eu tive a coceirinha
mais forte, deu vontade de criar, na hora: pega
de surpresa, a gente não sabe direito o que é,
dei um sobressalto à procura de... ia escrever...
e... encontrei o inseto. Tava morto, mas tava intacto.
Tava duro, integro em suas propriedades. Todo cheio
na sua beleza. E ai deixei de procurar, foi vim e vem
ao mesmo tempo. Eu não tinha nada pra fazer diante do inseto
se expondo assim pra mim, ele estava tão completamente unificado
na sua presença que em mim abundou um grande basta. Eu fiquei
la pasma olhando pra ele. E eu podia viajar até mais na minha pasmaceira
e pensar: o vim te ver pro inseto se lembrar quem é... mas não vou
continuar não... era só pra dizer mesmo que eu vim aqui te ver porque
eu convido a vida todos os dias em presenças bonitas. E que
eu me conecto com você e nesse embalo todo eu tenho certeza de que sou
você também, sem julgamentos; quando você esta aqui dentro é bonito,
e assim somos. Então eu te mostro ai as duas imagens da minha não historia.
Depois o livro chega. So os acentos não chegam, porque nesse teclado não da.
Beijo la.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

às vezes da uma vontade louca de...
não é a que estou sentindo agora, nem sei o
que estou sentindo agora, estou estando agora,
agora sinto estar na vontade,
sinto a vontade estando.
estalando: não esta.
não é um sim ou um não.
é so um às vezes.
de vez.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

pra te ver

quem sofre...
quem sofre de alegria irradiante,
eu pensava em dizer.
e meditei na conjugação do sofrer alegre,
sofre quem é alegre.
eu me alegro em pensamento:
 a alegria e a sofridez são
espaços de compreensão.
eu estou triste, eu estou alegre,
de fato, não causam a mesma impressão
no mundo. porém elas abarcam
uma dimensão desse estar no mundo.

se você sofre pra ficar alegre me parece até bom,
em julgamento. se você alegra pra ficar
triste, ai coloco uma interrogação. mas sera
que o ciclo disso tem um começo num
estado ou no outro, ou são aspectos particulares
de um possivel vir a ser?

então, yin e yang estão ai mesmo
dando uma clara demonstração.
e dando vaga para dualidade
tonificar nossa concepção.
é uma marca forte...

existe também um sofrimento alegre, ou
uma alegria triste, ou uma tristezinha
alegrona, ou uma alegria tristona e por ai vai.
num falo de sofrer em des-amor, ai é so triste mesmo.
alegria soa diferente,
é independente, anda sozinha,
é ouvido plexo, estalo
de olho, estouro de boca, e tem duração.

tristeza também, mas é outra combinação.
mas é quântico tudo isso, estão unidos,
tem tendências a existirem sozinhos
ou acompanhados, mas estão sempre latentes.

ai, penso em você e sinto as duas coisas juntinhas...
é bonito em demasia essa partilha dos polos em atuação.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

em mãos

"A despigmentação da tua palavra
me incita, me entristece

Acho que atrai alguma sombra minha
algum elo da nossa fraqueza

Essa despigmentação irregular
que nos atiça
é antes uma sombra recriada uma forma ainda de esperar

Quando não esperarmos mais - e nem ainda -
escondo a tua sombra nesta mão. "

(Mecha branca de A. C Cesar)

domingo, 7 de abril de 2013

horario de luz natural do pacifico

não poderia ficar assim, porque não é do silêncio que irrompe a crença
e sim de um ruído oblíquo e oco, desapontando imensidões.

foi por causa ou efeito de uma frase, ou de uma sequência de atos-diálogos
que perseverou na mudez espantada, e no barulho intrínseco:
e pensou assim, a violência têm muitas arestas.

e (prefiro atestar)
nunca acreditou em pontas, mas em curvas ou margens.
mas a violência é o tapa que estampa, acreditem,
aquilo que não pode continuar.

poderia ser assim,
tava indo indo, de mãos dadas com o ar,
respirando dentro da linha, e dentro da linha pode
ter toda sorte de estridência,
(porém isso não quer dizer que um estria não seja fluida ou contínua);
mas da violência, cai um não-sei-que,
é a pose na capa da revista,
é só estridência sem linha.

e tava indo indo,

(engraçado como a gente relê o que escreveu depois de um tempo e é-se um outro; não me lembrava mesmo disto, mas acredito que foi escrito em golpes na epoca da criação do "diga-se de passagem". não acho bom, mas tem um pensamento intrigante.ah, detalhe, o titulo foi o proprio blog que me deu de presente.)



terça-feira, 19 de março de 2013

pra gonçalo

se não, senão.
o possivel continua
existindo com um sim.

existir, resistir;
o espaço contém
sempre reservas
para o não.

pensar, pesar.
o ensaio pode
ter o tamanho de
uma conclusão.

o ponto, o circulo.
O!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

estimo do destino

abriu um clarão. e, não sei quantas,
algumas crianças, uma a uma,
iam sendo aspiradas ao céu.
enquanto sonhava, diante dos meus olhos.
de fato, tudo era extremamente claro, adiante.
imaginou uma cena de amor que filmaria.
o instante é somente um ato,
se pode pisar ou não.
o plano da alma tem areia e sede.
e elas não são as mesmas.
e o oraculo orou assim:
um raio atingiu o coração
porque o coração ja esperava o raio,
todo cheio em si..