quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

restinga

tava pixado,
o que o mar devolve é seu,
peguei pra mim,
imediato,
uma cama, um radinho,
uma geladeira, uma cama,
na janela o mar,
um quadro acima da cama,
e você quem sabe pra me amar.

tava pisado,
não era pesado,
cada passo um silêncio
e uma vontade de continuar.
areia quente,
sol suspendendo o guincho do futuro.
e arrastar o pé e se amarrar,
mão na cintura, braços em remos,
o tempo é largo como uma dor.
mas cabe no rumo
fibroso de todo querer.

tava enraizado,
só tem galho amanhã.
quebra um pra mim,
finca naquela estrada,
mas passe sempre por lá.
não tem medo,
o que o mar leva,
a gente sempre carrega.