terça-feira, 18 de dezembro de 2012


saiu assim, e poderia sair de qualquer um,
mesmo de mim, que ja não sei quem poderia ser.
mas sai assim na rua, querendo o imprevisivel
dentro daquelas possibilidades, viver aquele personagem.
a cidade, as luzes, quem viveria eu?
conduzir, sem direção, estando la
neste aqui, esquizofrenia geografica.
não é qualquer um que vicia.
poderia, quereria?
uma oração para as mascaras que ja perderam seus dias.
a ficção deste dia começou num enredo bem simples de simples anacronias
do cotidiano que queria domesticar o personagem pra dentro de uma bacia
quente umida conhecida gentil e sadia.
mas oh, quem diria.
sacaram uma arma pra dentro do revestimento pulposo de tudo aquilo que pulsa.
saltaram bem dentro todas e todos que se julgavam mansinhos.
o cinema disse bem vinda?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012



ando cheia no vazio de lesmices eclipsares.
qualquer dia desse me bulbo no vacuo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

levada

leve-me.... daqui.

leve-me... de mim.

como eva foi... em um sim.

como eva foi/

afoita
à foice
assim...

levemente
prum fim.


(poesia musicada na cabeça)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

silêncio d'amor


Silence d'amour
Je t'ai aimé dès le berceau
je t'ai donné de la douceur
miette après miette
Silence d'amour
qui coule dans les veines
il m'est impossible de te quitter
Silence d'amour
ne pleurez pas, vous, les oliviers
L'amour et la tendresse viennent de loin
ma joie bien aimée, souffle de mon âme
donne-moi ton coeurs, je te donne ma vie.


Silenzio d`amore
T`amai da quando stavi nella culla
Ti donai dolcezza mollica a mollica,
Silenzio d`amore che camini nelle vene
Non è possibile staccarmi da te.
Non piangete alberi di olive
L`amore e l`affetto vengono da lontano.
Delizia amata mia, fiato della mia anima
Dammi il tuo cuore che ti dò la vita.

(poesia de Alfio Antico, encontrei num filme muito bonito de Philippe Claudel, Tous les Soleils)




quinta-feira, 28 de junho de 2012

zum

procura estar sozinha
sem nenhuma fantasia
sem confete ou serpentina
mas eis que repentina
cai uma chuva fina
aguçando a musculatura mais intima
dentro da calma da marcha
vai de encontro às beiras às quinas
todo encanto é um abismo.
foi dar manejo na razão,
escutou um cor ação
sussurando como as folhas vindas
em embalo com o clima
deu adeus aquela menina
todo balanço é um amanso
como sino dobrando
o vestido da senhora
sentada no banco da igreja
naquela pracinha.




sábado, 16 de junho de 2012


com calos nos pés
inchou, inchou, inchou...

condensou na janela do avião,
crescente lá fora o sorriso brilhante de adeus.

ser tão, cala e sente.
inchou, inchou, inchou...
só as nuvens puderam saber.
na pela tanta secura,
na alma tantas alturas.





quinta-feira, 10 de maio de 2012

sopro ou colagem III

uma praça quando estiver cheia.
uma praça vazia longe demais.


o horizonte voa.

esse arrepio
risca
minha órbita

uma praça que esfria,

enquanto existir
assombro

se

se me afundar em seus sapatos,
faço barcos viajando lado a lado.



(composiçao no violão, com AlessandroAngius)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

restinga

tava pixado,
o que o mar devolve é seu,
peguei pra mim,
imediato,
uma cama, um radinho,
uma geladeira, uma cama,
na janela o mar,
um quadro acima da cama,
e você quem sabe pra me amar.

tava pisado,
não era pesado,
cada passo um silêncio
e uma vontade de continuar.
areia quente,
sol suspendendo o guincho do futuro.
e arrastar o pé e se amarrar,
mão na cintura, braços em remos,
o tempo é largo como uma dor.
mas cabe no rumo
fibroso de todo querer.

tava enraizado,
só tem galho amanhã.
quebra um pra mim,
finca naquela estrada,
mas passe sempre por lá.
não tem medo,
o que o mar leva,
a gente sempre carrega.