terça-feira, 2 de novembro de 2010

sem sair de casa

foi pega de surpresa,
num beijo inevitável.
ficou morta por dois dias,
como que extasiada
por ter sido assassinada por um beijo.
sonhar nem pôde,
viveu longamente a madrugada,
levitando no toque dessa presença.
por que viver dá tanto medo,
se morrer é tão simples?

o álcool, a noite, o sereno
o olhar encontrado a fuga
a luxúria ao deus -dará, alá.

cansei das minhas histórias.
só vivo preu poder me contar.
e, depois,
é assim,
preciso esquecer pra acordar.

e teve também que,
durante dias,
fiquei coçando no osso,
na pele, tudo aquilo qu'eu já posso saber.

eu sei que esfria,
mas gosto cada vez mais da rua.