segunda-feira, 1 de março de 2010

às flores

meu crisântemo (adorei a sonoridade desta palavra e, na verdade, nem me lembro da forma desta flor, mas deve ser bela e o nome me veio à cabeça logo após ter pensado em você... ando um pouco dadaísta),

tenho te sentido estes dias... sua imagem agora talvez não seja a de sempre, estou perdendo definições, mas vejo articulações, vejo seus membros, se projetando e criando um espaço maleável e frutifero ao redor. porque é da sua natureza. praseificar o espaço. adentrá-lo como em um campo de flores. estou com saudades-raízes, ficam me sustentando na gravidade, meus pés, meu pé de você e de tantos outros. tenho sabido mais por aonde eu sou. depois de passar no funil da nova idade, aceito mais o que as novas configurações podem me dar. este espaço, meu espaço-interno, minha fome de criar e de nãos saber porquê. por que se faz arte mesmo? ou porque a arte se faz? a grande obra, a vida... me encarrego sempre dessa missão, botar holofote nos detalhes... mas às vezes perco o ar. parece que virgem tá apostando no meu terreno. no meu solo. vou pegar tudo no ar e fertilizar. será que consigo? precisava te falar, te beijar aonde precisamos, antes disso tudo, antes das aparências, antes da pele. o pássaro voa voa, mas vem fazer seu ninho na árvore, num ramo, num lugar quente, num lugar seguro... isto tudo me habita. tenho acreditado mais nestas imagens que me po-voam. e em não deixar que elas se transformem apenas em resíduos. esperar menos para esperar mais.

beija-flor