terça-feira, 26 de outubro de 2010

mais que o agora há pouco

porra!
era assim que eu queria dizer
quando te encontrasse, mas não diria,
ficou na imaginação, de um dia ébrio,
na frente do nada, com muitos outros nadas juntos,
e não diria mesmo. por pura educação religiosa,
me viro nos trinta, não digo o que penso,
e fico refletindo, mas esperando
ouvir o que as pessoas querem dizer,
esperando que eu queira dizer alguma coisa.
só porque eu vi alguma coisa que me disse antes
algo do que não era pra ser dito. porque aquilo que
não pode ser dito é muito mais interessante.
porque fica escondido, e quando
sai, é de uma estética do vidente,
da comunicaçào alienígena,
onde todo mundo se entende.
então, parei aqui em frente,
liguei pra um amigo,
nem sabia se era vontade de falar com ele,
ou vontade de ouvir alguém falar,
porque aqui onde não se fala, as paredes
gritam tanto que fico surda de não poder me ouvir,
no espaço só dá audição cúbica,
ainda iria se fosse pintura,
mas não é,
nem pedi pra fazer referência,
foi um pedido de outro que aqui reside.
poxa, vou aliviar:
só vontade d'empurrar as paredes que dá
algum dia, porque fica-se empurrando outras coisas,
com tantos músculos,
alguns já me disseram,
dá um tempo,
mas não consigo,
fica batendo,
cria cria cria,
eu acreditei,
e quando se entrega a isto,
não dá pra voltar e perguntar
por que aconteceu?
só preciso disto,
sendo triste ou sendo alegre,
estar sendo,
podendo,
fazendo,
e não tive vontade de dizer o que?
porque senão teria que fazer
regresso nas páginas do livro,
adoro fazer isto,
mas não conto,
já li algumas páginas milhares de vezes,
mas só por gosto de escutar as palavras viajando,
e imaginar que estaria contando alto
pra alguém que me escutasse.
me dá um tesoura, uma revista e
um caderno preu colar meu pensamento.
é assim que dá.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

em tanto


que dia era esse?
ela estava tão parada que as coisas não
se perguntavam da mesma forma.
nada acontecia no imperativo.
estava num lugar estrangeiro,
era a primeira vez que botava os pés
neste canto da cidade,
e nãO era desbravamento.
só uma circunstância. ontem o tarô me disse:
somos um acúmulo
e desácumulo de cascas.
às vezes a leitura me influencia.
hoje estou descascada,
mas não sou limão.
e desconheço minhas doçuras.
sou uma árvore desapegando frutos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

retrato sem trato

parece que para, mas só redimensiona.
parece que cala, mas é chuva na madrugada.
e se exala alguma aspereza, é que embaixo da terra ainda guarda incerteza.

não é bruto,
não é truque,
não é entulho.

só embrulhada, mas sem enfeites.

pode ser pedra bonita
que pede presença de rio,
e sente que é estrela cadente.

e se fica buscando no ontem
a história de um presente,
é porque há anos luz
que vive potente.