sexta-feira, 28 de maio de 2010

borbulhando

a varanda me realisa.
amolei bastante as idéias.
ficaram finas como o vento que corta
a manhã cinza. não sei se vou ou se fico.
e durmo com isso.
parece que vai chover.
todo dia aparece um canto novo
no canto do meu olho.
guitarra elétrica.
escondi no abajur um segredo.
abati meu dia com fervor sanguinolento.
o fá estourou. fica a viola a chorar em silêncio.
como eu, objeto voador todo dia identificado.
tenho três nomes. costuro minha vida com
linha de rede, pesco um, e jogo dois.
sou peixe-gente.
me disseram sereia. tocou a sirene.
o tempo todo, bate no meu peito
algo que desconheço.
será isso o desejo?
a repetição de algo que não se vê, mas
quando respira junto...
acelerou. e já estava em outra onda,
em outro mar.
por quê então você bate na porta
e não entra?

sábado, 1 de maio de 2010

para o sol na varanda

acordei com uma vontade danada de nada.
limpar o banheiro, fazer café, lavar roupa, tomar banho,
trocar o lençol, lavar calcinha, torcer a cara, o jeito, o ócio,
os vícios... de repente, a louça pode ficar suja mais um pouco.
olhar no espelho. olhar o que o espelho olha. vontade bendita
de ser gente. ser gente, sem pessoar. às vezes caminho, me troco em
pessoas. me dispo, agrego novos acessórios, mudo ritmo, respiração.
às vezes não. quero só sentir que gente fica. aonde está. cada um, mais gente.
do formigueiro, vê-se a mata encantada?
da pessoa, eu vejo cada passo, a marcha.
de gente, vejo a batida sonando um só.