segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

envelope


oca.

fiz aquela minha torta preferida
e não pus o recheio.

na hora da mágica,
foi o coelho que cuspiu uma cartola.
e dentro da cartola era um buraco.

cruzou 1000 pessoas.
sentou ao lado de 7 mulheres durante o dia.
sentiu o bafo de um rapaz que era até bonito.
ouviu a respiração de 5.
e sentiu que o casaco era um mundo.

o silêncio não foi deposto,
ele era o rei no jogo.

engoliu todos os olhares
e cegou a estetização do entorno.

para falar,
aperta-se um botão.

depois desaperta.
e se aperta com o que existe.

10 instrumentos diferentes pra cobrir o frio.

esvaziou todos os armários e gavetas,
desentupiu o ralo...

e ainda mora.

domingo, 17 de janeiro de 2010

pode ser

nenhuma pista se desviou da trajetória da palavra.
algum sinal esquecido no veludo do silêncio faz
manchar o descanso da criação. parada, faço a música dançar.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

caminho




"Nunca dê ouvidos àqueles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspirações. Tu bem sabes qual é a tua vocação, pois a sentes exercer pressão sobre ti. E, se a atraiçoas, é a ti que te desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se fará lentamente, pois ela é nascimento de árvore e não descoberta de uma fórmula. O tempo é que desempenha o papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha difícil. Porque o ser novo, que é unidade libertada no meio da confusão das coisas, não se te impõe como a solução de um enigma, mas como a um apaziguamento dos litígios e a cura dos ferimentos. E só virás a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu tão útil ao homem como o silêncio e a lentidão. Por isso os tenho honrado sempre como deuses por demais esquecidos."


trecho do livro Cidadela, de Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 2 de janeiro de 2010

pois então... vamos


o viajante universal,
com calma chega ao leito,
o descanso é de muito tempo
pois as lembranças são de muitos espaços,
ao mesmo tempo.
cada passo é uma respiração,
aspira-se à juventude a cada dia do crescimento
de um fruto.
bato à porta do recolhimento e abro as asas
para o novo, renovando camadas e julgamentos.
se não vens, nós vamos... à vida.