quinta-feira, 15 de outubro de 2009

começo

viu a cara espantada daquela que aplaudia no fim daquele ato.
não era um visage qualquer, era aquele e não outro.
é nessa busca que o olhar encontra aquele e não esse.
as cores apagaram e viu só luz e sombra.
uma mistura de intensidades, de oposições.
é nessa sinfonia de extremos que começou
a tocar aquela música, acompanhada da expressão assustada
e enfeitiçada daquela que olhava e aplaudia.
o que ela aplaudia?
a mão e o rosto.
era como que o susto da distância
e a capacidade de digerir no espaço.
depois passeava pelas ruas e todos
os postes incendiavam a cidade como
a um palco de teatro.
ela era um personagem.
mais viril do que antes que desconhecia
a si mesma.
não pôde disfarçar a delícia
da ausência.