sábado, 2 de maio de 2009

saí descalça e voltei chovendo;
com uma asa embaixo do braço,
engoli o espirro da liberdade e fui dormir.
parei para olhar o deserto,
e uma cidade inteira me engoliu. 
fui atropelada por minha falta de senso.
sem direita e sem esquerda,
fiz um gol no absurdo
e o céu me agradeceu amanhecendo. 
a palavra certa engasgou e virou lágrima.
não tenho dinheiro pra comprar palavra limpa.
uso e reuso as que cabem em mim. 
não compro guarda-roupa. 
não tenho ferro. 
e tenho várias feridas. 
vou passar o amanhã  a limpo.
puxei a cortina do dia,
vou me vestir de mendiga,
vou catar nobreza na rua.
quero viver no impróprio.
embaixo,
 bem embaixo
de onde imperam as ruínas
do Logos.
sem pressa, perdi a hora,
fiquei sem mapa,
e me perdi. 
me dobrarei em mil pedaços, ou mais. 
não contarei, não conterei.
me guardo esta noite numa página em branco.
agora é já amanhã.