quarta-feira, 25 de março de 2009

Ela queria ficar um pouco mais. Só um pouco mais. E queria mesmo como uma falta de vontade. Porque não queria voltar. Queria ficar, olhando. Olhando. O cansaço lhe atenuava o olhar, os olhos ouviam mais. Parou num café. Escolheu se sentar do lado de fora, mesmo que o vento estivesse forte. Queria poder olhar  a rua e os passantes. O vento passante, insistente. O ritmo dos que passam. Os carros passam. A mulher ao lado fuma um longo e fino cigarro. E fala. Sem parar... passam palavras. O homem era bonito. E a mulher acendia outro cigarro. Sentiu pelo tric do isqueiro. E nada se pensava. A cidade pensa em outro ritmo, quando os postes acendem e o amarelo se inquieta em ser vermelho. Em ritmos. Ele tem o nariz bonito, ela sentiu. Será que eles vão se beijar? Rue Jean-Baptiste Dumay. Sentada na cadeira vermelha, com uma bolsa vermelha e uma bebida vermelha. Tudo impera. Menos que o silêncio. Será que a fumaça esquenta? E a mulher continua falando. E o homem encostado no poste também. E as três mulheres na mesa mais distante também, e riem. Será que falar esquenta? Distraída. Atraída. O amarelo e o vermelho. O caderno aonde se riscam estas linhas também é vermelho. Também. Será que é de novo? Novo de novo. E o vento atravessa a echarpe no pescoço. Sem vontade de gritar. Quando se olha, não tem voz. Como o homem ao lado, que escutava. O casal amarelo e vermelho. E hoje a echarpe é vermelha. De novo.