segunda-feira, 2 de novembro de 2009

posta


está tudo atrasado dentro do relógio.
e não são os ponteiros que se atacam pra ver quem chega antes.
o segundo ou o minuto, não têm importância.
e sim a existência de um lugar pra chegar, de um número pra atingir.
fui parar lá no 23, mas eu ainda era dois meses antes.
engravidei do tempo, nove luas, nove guerras, quantas noites de espera.
e só ficaram os números. sentei no dois. adulei-o, mesmo sabendo
que era um ingrato e traiçoeiro. mesmo no dois, ainda era um.
estava atrasada. estou sempre em avanço do que não pode acontecer.
rezei pro três aparecer e me mostrar a face de cada moeda.
me levar pra passear na cidade.
a cidade me prostituiu. me expus nua diante diante de tanto regresso.
cada poste, um dia eu chego lá. mas não sou ponteiro e fico tonta
com tanta obediência. preciso do outro para estar sozinha.
olhei novamente pro relógio. perdeu o sentido.
do redondo, da redoma, perde-se a doma. a própria dona.
vou tratar da sede do entusiasmo, para que não fique cansada
antes de chegar.
vou atravessar toda a cidade. mas só em contratempo.