terça-feira, 20 de outubro de 2009

VIII La rupture



Il rêvait de faire du cinéma. Je rêvais de traverser
lÁmérique du sud avec lui. Pour l'inciter à me suivre,
j'avais proposé que nous réalisons durant le voyage un film sur notre vie de couple. Il avait accepté et, le 3 janvier 1992, nous quittions New York dans sa cadillac grise en direction de la Californie. Neuf mois plus tard, à San Francisco, alors que nous n'avions pas encore dit le mot "FIN"sur la pellicule, ma main, tatônnant sous le siège de la voiture pour l'avancer, a trouvé un sac en plastique noir. Je l'ai ouvert. Il contenait des lettres, vingt-quatre précisement, écrites de la main de Greg, adressés à une certaine H., et expeditées - le tampon de la poste faisant foi - dans le courant de l'année 1992. Pour des raisons que j'ignorais, elles étaient revenues en sa possession et il les avait cachés là. Je les ais lues. J'en ai volé deux. L'une, parce qu'il disait: "Je serais libre en octobre". L'autre, pour cette phrase: "... avec sophie, j'ai cet enfant qui n'aurait jamais pu exister sans la passion que j'ai pour toi". J'avais donné à Greg la possibilité d'exaucer son rêve le plus cher, et c'est une autre qu'il remerciait. Quelques jours plus tard il me remettait une lettre: "Sophie, j'ai toujours pensé que tu entrerais dans ma vie. Je veux que tu saches que je t'aime et que tu es devenue la chose la plus précieuse à mes yeux." j'en doutais. Et je décidai de lui donner raison: il serait libre en octobre.

(Ele sonhava em fazer cinema. Eu sonhava em atravessar a América do Sul com ele. Para convencê-lo de fazer essa viagem comigo, eu propus de realizarmos, durante a viagem, um filme sobre nossa vida de casal. Ele aceitou e, no dia 3 de janeiro de 1992, nós deixamos Nova York na sua cadilac cinza em direção a Califórnia. Nove meses depois, em São Francisco, enquanto tentava avançar o banco do carro para frente, encontrei um saco plástico preto embaixo do banco. Eu o abri. Dentro do saco encontrei cartas, 24 mais precisamente, escritas pela mão de Greg, endereçadas a uma certa H., e expedidas- o carimbo do correio confirmava- no ano de 1992. Por razões que eu ignoro, as cartas voltaram para ele e ele as tinha escondido lá. Eu as li. Eu roubei duas delas. A primeira porque dizia: "eu serei livre em outubro". E a outra por esta frase: "com sophie, eu tenho esta criança que não poderia jamais existir sem a paixão que tenho por você." Eu dei a Greg a possibilidade de realizar seu sonho mais profundo e é a uma outra que ele agradece. Alguns dias depois, ele me enviou uma carta: "Sophie, eu sempre pensei que você entraria na minha vida. Eu gostaria que você soubesse que eu te amo e que você se tornou a coisa mais preciosa para mim." Eu duvidei. E decidi lhe dar razão: ele estará livre em outubro).


Sophie Calle

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

começo

viu a cara espantada daquela que aplaudia no fim daquele ato.
não era um visage qualquer, era aquele e não outro.
é nessa busca que o olhar encontra aquele e não esse.
as cores apagaram e viu só luz e sombra.
uma mistura de intensidades, de oposições.
é nessa sinfonia de extremos que começou
a tocar aquela música, acompanhada da expressão assustada
e enfeitiçada daquela que olhava e aplaudia.
o que ela aplaudia?
a mão e o rosto.
era como que o susto da distância
e a capacidade de digerir no espaço.
depois passeava pelas ruas e todos
os postes incendiavam a cidade como
a um palco de teatro.
ela era um personagem.
mais viril do que antes que desconhecia
a si mesma.
não pôde disfarçar a delícia
da ausência.

sábado, 10 de outubro de 2009

uma dose

Fado: vc está ai?

eu: sim e vc?

Fado: nao....

:)

eu: pq?

Fado: um beijo nessa sua boca

18:24 eu: oba..... adorei. olha... tive uma ideia. qdo tiver mais tempo te falo...

18:25 Fado: fala

eu: ah.. eu também quero dar um beijo bem demorado...

Fado: hum....gostoso

qual é sua ideia brilhante?

18:28 eu: tlvz nao seja tao brilhante mas eh boa... agora naum dá to indo. seria legal a gente conversar sobre a ideia... mas outro bj dá.....outro....inté.

outro...

18:29 Fado: inté!

terça-feira, 6 de outubro de 2009


olhar pra ela causa
cor aqui no peito,
provoca o amor
que só espreita,
pinta a boca de tristeza,
e, depois,
vai pra rua cheia de certeza.

domingo, 4 de outubro de 2009

sinceramente


são pétalas que caíram.
ficou o talo talhando uma
um novo formato.

no meio daquela floresta
já tão tateada e ateada,
percebe-se o inusitado.
percebido, ele sempre vem disfarçado de conhecido.

bom dia, como se estivesse dizendo
pra vendedora do pãozinho fresco
que conheço há anos. o pão e a vendedora.

mas não é desse inusitado repetido.
é do inusitado que vai-se permeando
e quando dá-se já é coisa viva,
mas sem definição.

é nessa porção de mata
que adentro. com cautela
e euforia. tesão e proteção.
o caule criando energias
e instalando seus artifícios
para cultivar essa nova
velha família dentro do coração.

eu não disse que não iria.
eu só sinto que vou devagar.
e não é arriscado.
é o antigo que estava esquecido até então.


miles davis tocando.
os champingons na manteiga, é bom.
je t'attends.