quinta-feira, 6 de agosto de 2009

mais perto de onde

estou em quarto crescente. ando sem quartas ou quintas.
e nem engato a primeira. mas não disse que ia devagar, disse?
eu entro com cautela. não gosto de dormir em cama muito mole.
tive a sensação de ser uma janela dentro de outras janelas.

fiquei pensando...
(poesia? não. excesso de pequenas fugas)

(ou simplesmente um pensamento-caramujo):
fui à janela e vi milhões de buraquinhos que pareciam ter o tamanho
da minha mão. achei um desperdício construírem buracos para uma mão.
quanto mais alto um prédio for, menor fica a janela?
então eu prefiro o chão. gosto de sentir que meu pé tem a mesma
chance de ir lá fora que minha mão.
(é realmente muito perigoso eu tirar esse pensamento do esconderijo)

tenho várias amantes. mas, não sei, tenho estranhado tantos enfeites,
lençóis, travesseiros... queria sair andando por aí e só dormir quando não precisar mais.
queria dizer pro meu filho: quanto mais segura, mais me afasto de mim mesma.

puxa, quero aprender. todo dia eu procuro o medo, e procuro saber se estou mais apta para senti-lo. acho que não é de saber. aviso de segurança:
não procure saber onde está.
estou tímida, sabia?
falo baixo, ando devagar, procuro lugares esquivos. quero sorrir
ou chorar numa esquina.
um quarto de liberdade para uma lua sentinela. só olho pra ela se ela quiser.

eu guardei meu amor por você tão fundo tão fundo. mas não é um túnel.
é labirinto. eu gosto de escrever na cama. uma meia-luz acesa. e as palavras
se apagam. queria escrever pra você. mas não é sempre.
me encontre quando estiver cheia.

no meu futuro,
não existirão automóveis ou elevadores. conclua, por favor.
meus olhos coçam. já estou longe demais.
sou uma praça vazia numa madrugada qualquer de uma cidade qualquer.
sou in-popular.
não me perdoe. eu quero amar.