segunda-feira, 22 de junho de 2009

pára com isso

hesitei. fiquei mexendo nos papéis ao meu redor.
andando pelos corredores. olhei pro meu pé. pro meu chão.
pensei numa árvore de frutas gigantes. pensei num não-diálogo.
lembrei de como era um alguém. tomei um xícara de café.
vou sair pra rua. ainda faz meio-sol. não, não vou. eu procuro.
e sei que procuro palavras. e elas não vêm.
sabia que eram palavras. não era uma música, nem um livro,
nem uma gota de sangue, nem a cidade. era aqui mesmo neste canto.
elas estavam aqui. aonde eu estou. agora. tive receio da minha reação.
o que encontrar. por que não abro logo esta poesia, ou por que não a largo de vez?
essa agonia era o pressentimento de um simples
despespero de esquecimento.
mas é. a mão se pousa. o pensamento voa.
o horizonte voa.
posso dizer então o que quiser.
farei isso:
viajo além do que (in)vejo.
esqueço o que perco.
perco o que não esqueço.
te perco, mas te tenho.
estou querendo ter algo
que está fora do tempo.

será que são palavras em desuso?
sentimentos obsoletos, existem?
olha, o que sinto agora está fora de moda.
não tem tendência, serve
pra chuva e pro solzão.
será que esse arrepio
é do mesmo vento que bate aí?
bateu?

respirei fundo. (eu vi a forma disso, pensei, por que uma linha é mais comprida que a outra?)
cada espaço tem seu tempo. e seus vazios.
e suas pressões.
queria escrever fora do espaço
mesmo a parede me empurrando.
eu voltarei.
meu quarto nunca me perde.
e eu sempre esqueço que lembro
sempre.

isto tudo
é pra tentar dizer que
eu nunca lembrarei
do quero esquecer.
e também:
a imagem me excede.
o excesso me diminui.

2 comentários:

Sabrina disse...

"a imagem me excede. o excesso me diminui"

muito bom !

tomazmusso disse...

escreve mais aí ó!