quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sur-realista.

e quanto vale o desejo do desejo da carne?
(a palavra derivando como possibilidade de dissonância).


estava passeando no linear e,
sempre,
ou quase sempre,
me deparo com o assombro ou
a erupção do vulcão tempo.

e quando o tempo vem nos a-presentear
as sensibilidades e nuances de suas camadas,
assim me aparecem também as palavras.

o tempo de imersidão.
e o mesmo velho tempo de conhecimento.

hoje senti vontade de chamar as pessoas pelo nome.
de me inscrever livre nas pessoas e nos seres.
bom dia, orquídea.
(e a parede me contava um buraco absurdo).

saudade.
e a falta da falta que me faz hibernar do passado e me de-por:
presente. bom dia.

pensei em frases curtas, desenhei orações revolucionárias.
tentando permanecer no instante. e quando, lembrei. lembrando:

estou sendo influenciada.
e quando não estamos?
pausa. espreguiçamento.

lembrei:


tenho uma fragilidade nos ossos
e o calor de um campo de batalha no coração.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

a dança do pato





deslizar
permear
permanecer sobre
irradiar
fisgar
estar junto e separado
avançar e avançar
como recuar?
girar girando
propagar.


giratória
marcha ré
arrière
pescoço
bico duro
pescada
pescagem
amor líquido

a proposta era só
em verbos
mas olhei no fundo
e vi que mexiam
outras coisas
sem ação
só intenção
tensão sem direção
mas



é tão bonito.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"quando eu sofria eu era mais feliz"
me disse seu zé do deserto.
e de lá, percebia o desejo do broto
no olho da janela,
e o broto se desnudava fora
de um ciclo de sofreguidão,
e desbundava,
em matéria de tempo,
a composição coral
do estado em cada ritmo
em cada pétala, em cada vento,
sem floreios para me mentir,
brotejamento de amor
em terrenos baldios.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ao ano

QUANTO TEMPO CABE NESTE INSTANTE PASSAGEM?
quanto pensamento cabe nessa idéia?
quanto tanto tento intento e sambo
e desequilibro e
emotivo emociono
o peito dentro do peito dentro
de dentro e a
repetição
de star estrela
apaga
estiro a corda
fico na ponta do pé
e olho o novo do outro lado
de que lado?
volto. espero. atento.
novas paisagens...
um corpo novo dentro do corpo
que usa
sem país sem língua.

vou criar minha pátria de sentidos
e deslizar na canção do (não-sei-o-que-me-pergunta-sempre)
na geografia do aqui-amanhã
no picadeiro de estar entre,
mais platéia... mais palhaço.
mais faro,
mais claro,
mais torto,
tonturas.

não entendi a piada.
confissão: não sei escrever.
e deixo as palavras-malabaristas
fazerem o show!
palmas. e que venha,
pois ainda vejo nada...
e ainda cabe tanto.


momento de cabência.
vou fazer um pedido.
atravessar.

o tempo o instante a paisagem.
sobre pés mais presentes,
e dedos mais ágeis
e olhos mais sinceros
e coração mais silencioso
onde tudo de nada
cresça
e

nos encotraremos lá.
enquanto existir.
enquanto tiver vontade.