domingo, 16 de novembro de 2008

3.

Tenho agradecimentos para pássaros.

Inclinamentos para insetamentos.

E sofrências para bichanos.

A independência me chama de cadela.

Passei cuspe na palavra usada e ela tomou perfume.

Tem pensamento que abraça em mim e beija

O insano, o profano e o futuro.

O futuro me manda calar a boca.

Mas a boca não tem porta.

E boca que voa, canta pra dentro.

oceano


aprendi
que
desaprender
também
é
uma
aprendizagem.



eu sou aprendiz
de oceano.




queria descrever meu sonho
mas tenho medo de perdê-lo.
mas é vontade tamanho.
estava lá no meio do oceano.
me lembro de um corpo.
de um homem trôpego.
ele dançava submerso.
minha cabeça doía.
doía de grandeza.
não conhecer ninguém é profundo.
e enfrentar a profundidade
é a incerteza de si mesmo.

o oceano é escuro.
isso eu vi.
inventei pra mim que ele
era sujo por isso não podia
entrar. tive medo de entrar no
fundo do fundo.
no infindo.
mas eu entrei.
e conheci um pouco dessa
matéria densa.
o mar é tão sólido.
e pode ser feminino.
la mèr.
não pude permanecer.
mas pra criar tem que permanecer.
a permanência de um instante.
eu desaprendi e me desapeguei
rápido.
porque o oceano é lento.


o oceano é um sonho.
é um homem.
sou eu e um homem
desconhecido.
o mar é o homem de mim.
ao mar sempre.
mas não ao mar de sempre.


descartei o descartes
mesmo sabendo
que não posso deixar
de ser.


fui passear no concreto
e vi postes, lua,
olhos, sorrisos,
cabelos e mãos.
e fui me liquidando.


não há verdade na criação
mas há um prazer de morte.
e não é tristeza.
é simplicidade.



fechei os olhos
e então me vi.