segunda-feira, 27 de outubro de 2008

encontro de acontecimentos


(ofegante)




desceu correndo aquela avenida para telefonar e contar o que tinha acontecido. mas pra quem ela ia ligar mesmo? era tudo tão grande e tão pequeno tudo que acontecia era minúsculo mas importava tanto. era um tempo. uma sensaçào diferente do tempo, a percepção desta sensação. era isso o que ela queria falar. a intuição que corre e desperta vontades calmas. era isso também. mas na hora de falar, ela engasgou, soluçou e riu muito. olha, não tem pressa. a respiração distrai meus pensamentos... estou suando. este casaco aperta meu pescoço. (barulho de sirene, sempre) tá tudo bem, tá, sim, fiz, eu lembro, é... con-cordas. nota um dois três. acordes. aí acordei. desliguei o telefone. e não tinha ligado pra ninguém. uma vontade falar, mas não assim como a gente conhece. de falar com outras coisas, com outros movimentos. (o sol tocou meu rosto, falei,...) olha, reparei que as pessoas aqui falam muito, e falam pouco. mas não se pode atrapalhar uma boa conversa. excusez-moi... eu quero uma informaçào. que saco... (riso calmo, canto uma música) vou ligar de novo. não tenho crédito. meu saldo é insuficiente. que plano é esse? eu tenho um plano, mas não sei qual é ainda. todo dia ele se organiza um pouquinho. eu ligo pra contar.