segunda-feira, 1 de setembro de 2008

enquanto eu estendia roupa no varal
o sentimento de fresco e cheiroso
me arrebatou na certeza
de que, fatalmente,
isso que faz paz toma chuva.
às vezes e sempre.
ainda dorme o roxo
numa nuvem que flutua
neste coração escarlate.
já choveu uma nuvem
cintilante, uma chuvem
de fagulhas.
mas você deixa tudo.
deixa o tudo de cores, você.
ou eu. ou o dois que se comporta
numa cama laranja.
não tem beijo final.
mas tem a melodia de um
beijo-dia, azulzinho.
eu deixo essa carruagem,
carga de grande amor adentrou
um túnel sem cor, sem cor.
e o olho ainda finge que vê porque o olho sente
e no olho mora todas as cores.
aonde há cores, há movimento.
mesmo que seja uma pedra.
like a rolling stone.
que venham frutos flores e sementes
e pedras e montanhas e jacarés.
lobo-mau se redime dentro de mim.
eu pedi desculpas pra ele.

"meu sol eu pintei de verde
pra enxugar as lágrimas
se eu precisar."


um beijo incolor.