sexta-feira, 11 de julho de 2008

O andarilho

Eu já disse quem sou ele.
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas de jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.



(manoel de barros)


eu tenho uma afeição cotidiana por pessoas que ventam...
gente que caminha, caminha e caminha.
tenho alguns amigos-desconhecidos com desquems
sempre encontro. ultimamente, não os vejo muito.
devo estar distraída de andanças.
mas tem uma personagem incrível por aí.
a primeira vez que a vi foi na glória. ela é mulher-feita-de-homem
e gosta de se vestir. maquiar. usar saltos. pentear os cabelos. e caminhar pro aí.
um dia desses dei uma bala pra ela.

os andarilhos me são.
Eles se coisam e me descoisam.