segunda-feira, 7 de julho de 2008

companheiro

Quaselá resolveu cantar.
Assim, agorinha...
no mesmo compasso,
denoitinha. Preu drumi quietinha
e poder sonhar bonito.
O pássaro tomou cisma de me acompanhar
ou d'eu escutar ele repetir moda cega?
Ele não dói, ele pica.

A saudade é sempre virgem.

ato ínfimo

primeiro,
um beijo amarelo num lugar desfocado.
segundo,
dois beijos prateados num oceano vermelho.
terceiro,
três goles sedentos de uma chuva de flores brancas.
quatro, quatro, quatro, vazio.
um quarto de saudade - sentimento do preenchimento.
mas nunca chega ao número quisto.
nunca é visto. jamais.


já, mais... cinco, seis. quantas vezes eu digo sem dizer?
quantas vezes ela quis sem saber?
"você é a última da fila".
mas Ela se sente ainda virgem entre as notas do querer e do saber.
Então, foi contando as árvores na estrada através da janela do ônibus.
Pensando no amor, as equações indizimáveis de quase-afetos,
de quase-lás.
Quaselá é um pássaro de invenção,
só canta quando eu ouço.
E tem cantado tanto.


Mas agora parou. O relógio parou.
Aí...
a saudade ganhou nova estimativa:
um índice extraordinário,
saiu das rodas da bicicleta e ganhou céu.
Saudade é uma quantia com vírgula e infinitude.
(vírgula pro querer
e infinitude pro saber).



A saudade é sempre virgem.


Então Ele foi passear na escuridão,
despiu seu traje de fêmea-pétala
e não chora mais. Nunca enquanto
dura a imagem de um beijo.
Este beijo mora na saudade.
E não acontece porque pertence ao infinito.