quarta-feira, 9 de abril de 2008

transparência

ontemmmmmmmmmmmmmmm
meus lençóis eram de piscina,
mas uma piscina quase vazia. eu estava deitada






dentro dela e
tinha umas poças verdes e marrons
rasas quase poros de umidade. mas eu
ainda não sabia





que/estava ali. e me incomodei com aquela
sensação desconhecida. me en-minhoquei na cama
fuçei em extremos
fui polvo de mim.
tentáculos de desejo.
pés virando mãos. ///
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saltei. virei gente com dor
e pegadas. me en-varandei:
uma noite de clareamentos.
clare-cimentos.
fui edificando meu pensamento.
eu me construí num espaço cênico
num chão preto preto e
eu passava ferro no chão, no lugar
onde iria me deitar.




eu entendi que necessitava deixar a noite entrar.


e ela me aqueceu.

homenagem à adelia prado

a poesia abaixo foi escrita por ela, essa mulher que tão sabiamente poê Deus em minúcias.... e ontem à noite cheguei em casa ávida por poesia, por encantamentos, me deito sobre isso. Obrigada.



BULHA

Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pegados na minha roupa,
vou olhar os meninos nas suas camas.
O que nestas horas mas sei é: morre-se.
Incomoda-me não ter inventado este dizer lindíssimo:
"ao amiudar dos galos". Os meninos ressonam.
Com nitidez perfeita, os fragmentos:
as mãos do morto cruzadas, a pequena ferida no dorso.
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo: "Acho que fica melhor com babado"
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos
olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?
Eu bebo água e é uma água amarga
e acho o sexo frágil, mesmo o sexo do homem.