quarta-feira, 5 de março de 2008

cotidiano

cena 1:
escorrem lágrimas enquanto caminho. mas é de frio.


cena 2:
um senhor que tocava guitarra no metrô parecia um ator
de cinema italiano, mas cantava em inglês. ele fez o casal
ao meu lado sorrir. o monsieur e a madame eram bonitos. ela
tinha grandes olhos verdes e gesticulava em francês. eu quis imitá-la.
eu irei.

cena 3:
fez sol e eu saí de onde estava para fumar e pousar minha face ao sabor do sol.
ao meu lado tinha uma porta grande. de lá vem um homem em cadeira de rodas.
eu quis ajudá-lo mas não precisou. ele veio rapidamente em minha direção. ele correu
sme correr, em rodas, lentamente. olhou pra mim seguro, firme, pretensioso. e eu fiz um
gesto como se perguntasse se ele queria alguma coisa. ele queria alguém pra falar.
eu não entendi sobre o quê. fiquei pensando nele segundos após. depois esqueci.



cena 4:
entraram umas cinco mulheres juntas no vagão em que eu estava.
e o vagão estava cheio. quando o trem partiu, elas cambalearam e desmontaram
em cima de uma outra mulher que estava no canto. eu vi. uma das meninas que empurrou
tornou o rosto e sorriu. a outra demorou um pouco. se preparou para pedir desculpas.
eu vi. ela fez um gesto sombrio ao virar o rosto e quase não olhou para a mulher impressada.
tão logo, disse: excusez-moi. A en-cantada deu um sorriso, parecia sincero, des-encanada. mas em um instante, quando a outra se voltou para suas amigas, ela fez uma careta de criança. eu ri sozinha porque eu vi.