segunda-feira, 3 de março de 2008

primeiros atos



...poderia eu ser atraente sem ser demasiado inocente,
eu não sou mais. eu poderia ter um olhar veemente e
despreocupado, e te acolheria em meus olhos, com mar ao fundo/
... caminhávamos, sem nos saber, estávamos conhecendo o inverso
do que temíamos. já éramos duas almas embriagadas pela vontade de
amar, o amor, o ardor, o calor, a cor, a dor e a arte/
... entao eu estava trivial e você usava óculos, mas você sempre usou.
mas neste dia vi melhor suas sardas. e sardas são tão elegantes/

pausa:

falamos pouco e ouvimos os pássaros. era um verde sujo, um verde
que queria ser amarelo mas não. os velhos gostam de andar. eu gosto tanto de ver os
velhos andarem.


triunfo:
eu estava clara, mas nao estava pensando em certezas.
e você me disse que tinha essa sensaçao, plena, de estar em casa, em outro pais.
eu disse que nao. mas tao logo me surpreendi agindo de uma forma que so faria
em meu lar. tudo porque estou distraida.



cinema mudo:
nos inventamos. estamos num filme antigo
e na radio tocam musicas que detestamos
mas que completam nossa teoria do conhecimento,
do absurdo de ser conhecido.


partimos entao felizes.

... voce me revela um segredo da sua intimidade
masculina e eu acho muita graça. me sinto em casa
sabendo. estou rindo de outra historia, pela noite
de uma cidade inventada que nem conheço.