quarta-feira, 20 de agosto de 2008

aguento o peso da fumaça de ônibus
escuto a música dos motores enfurecidos
mas não sustento essa capa dura desse livro
não escrito dentro de mim.
é uma espécie rara de livro-trilho,
trilha de cinema.
e dentro dele tem um almanaque
com informações de um século inventado
que se passou num quarto de um castelo de papel.
a vela apagou, é uma pena.
isso foi escrito arduamente à pena,
no bico de uma revoluç
ão sentimental.

são tantas. e o ruído passa.
árduo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

nunca é azul
quando no meu leito
é sul e os ventos sopram
em outra direção...
o sonho se veste de roxo,

a polpa de tanto azul
nevoado e afagos desencontrados.
um monte de amor lilás que não pude entregar
por falta de céu habitante.
eu nào quero mais o tanto...
só quero um bocadinho de céu
com um verdinho do lado e uns pontinhos pretos.
em um dos pontinhos tem um abraço laranja,
um sorriso - que quando mais você chega perto,
mais infinito ele parece, e um olhar de um amigo desconhecido.


eu não quero mais conhecer.
não quero tanto. estou me
dissolvendo, e esses rostos também...
e esses braços, abraços e excessos.


eu me cesso,
neste amor que eu invento tanto
que eu brinco tanto sozinha
que eu partilho com meu céu de boneca-andarilha
eu me cesso neste movimento de bailarina

num chão de nuvens, esquecendo olhares-amores.

não precisarei mais.

eu vou.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008




qual é a minha sensibilidade, meu calor? minha dor (ex),
medos visões (gestos= mãos, jeitos de olhar, não-olhares)
/ sonhos.
quem nunca posso conhecer?









video/ julio lobato

quinta 01h


ontem arvorilhei
hoje juliobei.
estou tremulicante e uivoloucada.
eu me perdôo.
a cidade antecipa uma aridez.
as chuvas que não vêm me fazem querer descansar em você.
me dá um você.
vou escrever você de batom no meu corpo
pra ver se eu acordo da realidade.
quando eu lembro que a realidade é um filme, eu me perco.
eu me perdôo.
estou deixando a loucura
falar por mim porque assim
não me conheço tanto.
descobri que a melhor intérprete de mim sou eu.