segunda-feira, 21 de julho de 2008

escapulário

ext/int dia/noite:

um templo de celebração
do intempestivo.
entram cinco deuses marginais,
enquanto um deles está presente em espírito.
porque nesse templo você entra pelo coração e
torna-se presente através do amor.
depois, vào chegando outros,
trazendo a força da delicadeza masculina.
com estandartes coloridos,
autorizam o poder marginal
em sua glorificação das miudezas.

gostar de alguém é tão miúdo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

condução

meu coração precisou sair à procura,

e pulou a janela.


minhas lágrimas precisavam dançar,

tinha uma escada. correndo os degraus.
um dois três.... rápido.


não tinha ninguém pra segurá-las.





morte súbita. durante dias.



e o coração fugiu às escuras noites e noites.


um século de olhares perdidos na minha cama desde então.


os cavalos puxam, enlouquecidos,
...

o que, meu deus?

vai

eu queria escrever, mas estou rouca.
eu quis ouvir aquela canção, mas.
eu não quero cantar sozinha.
só, que, quero poder estar só com você.
quero estar só, eu e você. eu, aqui, sob um sol qualquer,
e um livro de alguém que gostaria muito ter conhecido.
e o seu silêncio me aceita?



podemos perguntar ao mar. mas,
as cores nos confundem. ou só a mim?por que eu finjo
que entendo o que quero dizer? mas,


eu entendo,
só depois... bem depois. depois do depois
do momento que virei a esquina e descansei
na ilusão de não ser vista por ninguém.
não gosto de chorar na frente dos outros
quando não.... não o que?


eu falo, falo, falo,

fálico.
eu quero comer antes de ter vontade.
pra ter certeza do gosto.




porque eu quase sempre desconfio,
mas eu gosto tanto de inventar histórias.

então, me empresta este fio,

e me mostra a direção.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O andarilho

Eu já disse quem sou ele.
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas de jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.



(manoel de barros)


eu tenho uma afeição cotidiana por pessoas que ventam...
gente que caminha, caminha e caminha.
tenho alguns amigos-desconhecidos com desquems
sempre encontro. ultimamente, não os vejo muito.
devo estar distraída de andanças.
mas tem uma personagem incrível por aí.
a primeira vez que a vi foi na glória. ela é mulher-feita-de-homem
e gosta de se vestir. maquiar. usar saltos. pentear os cabelos. e caminhar pro aí.
um dia desses dei uma bala pra ela.

os andarilhos me são.
Eles se coisam e me descoisam.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

companheiro

Quaselá resolveu cantar.
Assim, agorinha...
no mesmo compasso,
denoitinha. Preu drumi quietinha
e poder sonhar bonito.
O pássaro tomou cisma de me acompanhar
ou d'eu escutar ele repetir moda cega?
Ele não dói, ele pica.

A saudade é sempre virgem.

ato ínfimo

primeiro,
um beijo amarelo num lugar desfocado.
segundo,
dois beijos prateados num oceano vermelho.
terceiro,
três goles sedentos de uma chuva de flores brancas.
quatro, quatro, quatro, vazio.
um quarto de saudade - sentimento do preenchimento.
mas nunca chega ao número quisto.
nunca é visto. jamais.


já, mais... cinco, seis. quantas vezes eu digo sem dizer?
quantas vezes ela quis sem saber?
"você é a última da fila".
mas Ela se sente ainda virgem entre as notas do querer e do saber.
Então, foi contando as árvores na estrada através da janela do ônibus.
Pensando no amor, as equações indizimáveis de quase-afetos,
de quase-lás.
Quaselá é um pássaro de invenção,
só canta quando eu ouço.
E tem cantado tanto.


Mas agora parou. O relógio parou.
Aí...
a saudade ganhou nova estimativa:
um índice extraordinário,
saiu das rodas da bicicleta e ganhou céu.
Saudade é uma quantia com vírgula e infinitude.
(vírgula pro querer
e infinitude pro saber).



A saudade é sempre virgem.


Então Ele foi passear na escuridão,
despiu seu traje de fêmea-pétala
e não chora mais. Nunca enquanto
dura a imagem de um beijo.
Este beijo mora na saudade.
E não acontece porque pertence ao infinito.