sábado, 13 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

bom dia a todos

Enquanto esperava o Sol,
a Neve apareceu, pálida e suave
me convidando para encontrar a Pele,
escondida atrás do todo onipresente Hábito,
e nos despimos para ouvir o Som
que vinha do Querer.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

eternidade 2

faz tempo que eu esqueço do tempo...











a porta foi esquecida aberta...




o café queimou na cafeteira...



e ainda...



as pernas tremem.





e ainda...




deixando ser eu.

domingo, 30 de novembro de 2008

dimanche

no corpo ébrio
cabem odores
insensíveis.

e a primeira neve
à luz do poste
traz a completude
do absurdo e o
sentido virginal
do riso.

e quando
a manhã é azul,
tudo que urgita
é pensar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

1.

À noite encosto embaixo do sonho

E uma asa noturna me lambe

Sei de formigas tentando fazer caminhos diferentes

Mas elas nunca se chocam.

Porque atrás da noite o olho enxerga.

As águas conversam amores.

E pedra lacrimeja e entorta.

A pedra discursa água e vice-versa.

O pé do tempo é um encanto.

Eu caio de folha, e caio de folha nova.

Minha folha é de vento, mas ela tem peso

De bicho antigo,

Sou folha-de-vento com vertigens

Pra espreguiçamento de bicho.

Tenho um silêncio que inseta em mim

E pica atrás do dia.

Amanheço laranja.

domingo, 23 de novembro de 2008

eternidade


enquanto lavava as mãos
lembrou da carta que estava à espera
sobre a mesa de café,
porque já havia bebido duas xícaras de café
na
busca de entender se era dia ou se era noite,
e pensou sobre a carta e,
lavando as mãos, percebeu que
era o momento de abri-la;
sentada à mesa, "esta cadeira
vai quebrar a qualquer instante, preciso
consertar isso", e a carta singela num
envelope azul escrito à mão,
esperava alguma coisa,
ou estava mesmo de acordo o tempo,
com a chuva e a estação,
por certo que ela abrigava o frio

e acolhia a resolução do escuro,
e na carta endereçada a ela
só havia uma linha escrita no fim
da folha branca e translúcida.

"há cem anos que te espero"

a janela da cozinha trouxe outro ar
e o barulho quieto da chuva
a certeza de um dia incerto
e cinza como cimento
que alimenta a construção
de abrigos tão certos para os sentimentos
mas não sabia se a frase que lia já a pertencia
mas também se a pertencia como pertence ao
outro que a escreveu
e também o porquê da frase se
transformar em uma jornada de passeios
pensantes e deslúcidos por caminhos tão atemporais
de si mesmo
,
mas também chegou a vaguear
pela idéia de ser mulher e jamais ser homem
e o nunca existir entre esssas duas possibilidades;
mas o que é o amor então
mas aí já soube,
e não soube, mas quis afirmar
que o amor existia e que sua qualidade
de aprovaçào no mundo é seu valor de utopia
"será que estou mais inteligente do amor?"
"mas como somos enganados".
"só quando for você, poderei te amar".
personne, pode ser ninguém e e pode ser alguém, ou uma pessoa.
e para mim é persona.
nem sequer conseguia dizer seu nome alto,
e relia o nome escrito à mão no envelope
e não conseguia dizê-lo...
e conseguiu ainda em cem anos de um dia
pegar o metrô,
atravessar a rua e amar a noite
e jantar
e ouvir um chinês tocando um violino
para o metrô vazio. e ele era feliz.
e se embebeu de música silenciosa
vinda de uma caverna,
e aquela frase, o esperar de cem anos,
e imaginou ele pensando ao escrever esta frase
e já não era mais ele,
era tão inalcançável que cria
não poder responder a esta carta.
era um mistério tão denso
que nela morava como sangue.

;
e saboreou o momento
de imagina-lo em ato de pensar
como uma ação imediata,
enquanto ela se estendia em eternidades
para que pudesse margear a intenção do sentimento
e a construção de uma resposta.
como dar uma resposta de cem anos?

...

"há cem anos que te encontro"
(às 17h da tarde).


"há cem anos que quero te encontrar"
(e recebia a madrugada e mais cem anos).

domingo, 16 de novembro de 2008

3.

Tenho agradecimentos para pássaros.

Inclinamentos para insetamentos.

E sofrências para bichanos.

A independência me chama de cadela.

Passei cuspe na palavra usada e ela tomou perfume.

Tem pensamento que abraça em mim e beija

O insano, o profano e o futuro.

O futuro me manda calar a boca.

Mas a boca não tem porta.

E boca que voa, canta pra dentro.

oceano


aprendi
que
desaprender
também
é
uma
aprendizagem.



eu sou aprendiz
de oceano.




queria descrever meu sonho
mas tenho medo de perdê-lo.
mas é vontade tamanho.
estava lá no meio do oceano.
me lembro de um corpo.
de um homem trôpego.
ele dançava submerso.
minha cabeça doía.
doía de grandeza.
não conhecer ninguém é profundo.
e enfrentar a profundidade
é a incerteza de si mesmo.

o oceano é escuro.
isso eu vi.
inventei pra mim que ele
era sujo por isso não podia
entrar. tive medo de entrar no
fundo do fundo.
no infindo.
mas eu entrei.
e conheci um pouco dessa
matéria densa.
o mar é tão sólido.
e pode ser feminino.
la mèr.
não pude permanecer.
mas pra criar tem que permanecer.
a permanência de um instante.
eu desaprendi e me desapeguei
rápido.
porque o oceano é lento.


o oceano é um sonho.
é um homem.
sou eu e um homem
desconhecido.
o mar é o homem de mim.
ao mar sempre.
mas não ao mar de sempre.


descartei o descartes
mesmo sabendo
que não posso deixar
de ser.


fui passear no concreto
e vi postes, lua,
olhos, sorrisos,
cabelos e mãos.
e fui me liquidando.


não há verdade na criação
mas há um prazer de morte.
e não é tristeza.
é simplicidade.



fechei os olhos
e então me vi.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

anteontem

a lua invadiu meu quarto,
abruptamente.

a cama invadiu meu desejo,
abruptamente.

eu fui expulsa do sono,
lentamente.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

outro enleio

há um tempo venho propondo pra mim
a criação de outro espaço-complexo
aqui nesta rede. acho muito intrigante
e mesmo distante (não como uma coisa que liga a outra, mas sim as infinidades de ligações que podem suscitar) uma intervenção aqui. um sistema complexo.
para começar vou colocar aqui a correspondência que estou a começando a manter
com um amigo no Rio de Janeiro, André Bern.
Estamos nos instigando a falar de nossas pequenas imensidões.
Aquelas coisas que a gente sente andando na rua, tomando banho, vendo uma árvore,
olhando pro sol, andando... andar sempre me sugere um mundo.
Enfim pode trocar sensações.
Se quiserem visitar:
outroenleio.blogspot.com

uma imensidÃo
Luisa

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

a valsa

quando o buraco
abre uma noite,
as cores fazem um baile.

teoria do espaço-tempo-heterocriativo

dois dromedários e um asno
no meio do amarelo.
eu vi a casa sendo invadida de areia.
eu vi os poros exaltando um azul de gelo
e a formação de uma rocha de metal.
o casal passeava pelas montanhas de gelo metálico.
e guardados na caixa amarela de areia, o casal virava
um sonho. um sonho de realidade transparente.
na caixinha de música tocava.
e o casal podia poder se amar
em cima da caixinha de música.
e isso era um filme que passava na janela.
daquela rua aonde passeava uma velhinha
sem-nome-todos-os-dias.

a liberdade vive no pensamento da experiência.
e descobri que a bailarina fugiu para o deserto.
e tudo isso é mentira.
mas é uma mentira tão bonita que ela existe
e vira pintura.
você vê?


se vou,
eu fico aqui onde estou.
e faço a música não parar.




terça-feira, 28 de outubro de 2008

o dia








lagrimez;


florflueija;


brimarulho;


miralínjia;


vertilúnio.

uma carta avantgarde/ contredanse

o inverno chegou! hoje especificamente senti sua presença.
aquele céu cinza de paris. chuva, pendant toute la journée.
c'est dificile, c'est vrai. o frio desperta. engraçado.
o frio desperta e dá uma sonolência. ele desperta pruma
certa hibernação de vontades e movências.
puxa, o inverno é dificil pra mim...
vamos lá. eu aguento.
escrtevo pra dar notícias.
que caminho bem. que me encontro bem na cidade.
que ela não me estranha mais tanto.
estamos ficando amigas.
mas é desconfiada ela, e eu também.
ela é imponente. mas é tão pequena.
cidade contraditória essa.
fizemos festinha aqui no sábado.
legal, mas a ressaca foi foda.
es-tou caseira. estou sonhando.
estou silenciosa. mas putz dá uma vontade de falar, não??
lembro de você com isso.
de falar com alguém que é muito alguém.
às vezes a vontade persiste e nem sabemos com
quem ao certo queremos falar. mas alguém especial.
estou entrando na vida acadêmica. isso me assusta um pouco.
mas sei que estarei compromettida por um bom tempo.
e sozinha também. vou eu voltar pro trabalho solitário.
é bom né? produzo bem sozinha.
estou gostando desse novo silêncio.
estou me vendo diferente.
é bom.
vou nadar.
já comprei maiô e tudo.
tem uma piscina aqui perto de casa.
aqui no meu bairro é legal.
tem gangues à noite.
tem tudo perto. cinema, teatro.
é bom...
vejo o mar. vejo sempre o mar
e o horizonte com sol.
e gosto de andar pela cidade à noite.
o silêncio aqui à noite é incrível.
e vc? como vão os projetos?
como tá o Rio sem Gabeira?
sem eira nem beira?
vc também?
aaaaa.
dê notícias.
viva a música brasileira!

um beijo
Lu

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

encontro de acontecimentos


(ofegante)




desceu correndo aquela avenida para telefonar e contar o que tinha acontecido. mas pra quem ela ia ligar mesmo? era tudo tão grande e tão pequeno tudo que acontecia era minúsculo mas importava tanto. era um tempo. uma sensaçào diferente do tempo, a percepção desta sensação. era isso o que ela queria falar. a intuição que corre e desperta vontades calmas. era isso também. mas na hora de falar, ela engasgou, soluçou e riu muito. olha, não tem pressa. a respiração distrai meus pensamentos... estou suando. este casaco aperta meu pescoço. (barulho de sirene, sempre) tá tudo bem, tá, sim, fiz, eu lembro, é... con-cordas. nota um dois três. acordes. aí acordei. desliguei o telefone. e não tinha ligado pra ninguém. uma vontade falar, mas não assim como a gente conhece. de falar com outras coisas, com outros movimentos. (o sol tocou meu rosto, falei,...) olha, reparei que as pessoas aqui falam muito, e falam pouco. mas não se pode atrapalhar uma boa conversa. excusez-moi... eu quero uma informaçào. que saco... (riso calmo, canto uma música) vou ligar de novo. não tenho crédito. meu saldo é insuficiente. que plano é esse? eu tenho um plano, mas não sei qual é ainda. todo dia ele se organiza um pouquinho. eu ligo pra contar.

domingo, 19 de outubro de 2008

seun kuti/ fela lives

video

show do seun kuti
no festival de marne
outubro em paris.
alucinante!!!
conseguimos registrar alguma coisa com
a câmera do celular da monna.


Oluseun Anikulapo Kuti (commonly known as Seun Kuti) is a Nigerian musician, and the youngest son of legendary Afrobeat pioneer Fela Kuti. Seun leads his father's former band Egypt 80. Seun first played with Egypt 80 when he was only 8 years old. He is born in 1982. Plays the saxophone and do the vocals too.
(bom, eu e ele temos a mesma idade!!)

quem se interessar, dê uma olhada no myspace:
www.myspace.com/seunkuti


aquele abraço...

sábado, 18 de outubro de 2008

playtime

video

o tempo e o pensamento.
o tempo do real.
tenho pensado...
será que existe algum tempo inventado?
do que se trata uma invenção?
vendo ao playtime, de jacques tati.
e toda a estrutura coreográfica,
é possível pensar numa construção de tempo
dentro do espaço.
será que um depende do outro?
intervalo que ocupa posição não determinada.
será isso o tempo real?
posições num espaço
acumulando intervalos
e encontros.
será o tempo um acidente?
tenho essa proposta de discursar sobre isto.
ainda não clarezas.
mas acho que nào é um assunto de clarezas.
fiz esse filme acima e ele me trouxe de novo esta questão.
a coreografia-
ações coordenadas no tempo e no espaço-
é sistêmica,
de fora pra dentro e vice-versa.
o tempo veste camadas?
quais são seus elementos?
o olho, a imagem e o pensamento
cada qual seu tempo.
o tempo tem formas de presenças?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

exercícios para manoelizar o mundo


eu vi uma oração de borboletas.
elas ventam pensamento em mim.
as borboletas asam aleluias.




a teia tece uma aranha.
e vai tecendo
tecendo tecendo
tecendo...
até ser.

sábado, 27 de setembro de 2008

vaganova

estou escutando o som de uma história.
uma grama verde, um sol,
uma vontade de rir e abraçar e
navegar nas estrelas.

porque é bom abraçar
um céu de estrelas e escrever palavras
como se fossem ditas
para alguém que não existe
mas existem

dentro deste coraçào
a orquestra já começou
sua explosào de novas..
de novas velhas imensidões.

os amores são vãos
mas nunca vazios.



ainda ouço aquela voz,
aquela melodia.
e queria poder tocar no seu corpo
minha vontade de andar, de amar e de viver.



eu pulo alto
eu vejo o rio correndo lá embaixo
e peço pra ele levar um recado meu:
meu enredo pertence aos mundos,
e no meu coração cabe todas as cores.


não leio jornal,
nem aplico meu tempo em bolsos e distâncias.

repito. apito. despisto.

mas sigo.
não conheço o poeta cego,
nem o poeta amado, nem o poeta torto,
mas conheço o poeta vivo.


portão da vida.

a vontade anda,
navega e abraça.
o amor da vontade ri, chora e brinca.

assim sinto melhor viajar.
mas meu peito ainda apita
às vezes dou corda pra sentir seu calor
e poder chorar de saudade.
é bom ter lembrança.



não quero escrever bonito nem complexo
vou cuspindo.

hoje, faço versos vândalos.


ontem, anteontem, e quando.
où et quand?
eu brinco de chorar também.

hoje e ontem e anteontem.
antes era bom.

agora, não sei mais.
vou deixar meus pensamentos para o senhor depois:

eles conversam comigo assim:

Toquem me façam dançar
(Façam meu corpo dançar)
Por isto toquem a música bem alto
Façam o tempo passar
(Façam o tempo parar)
Parar passar parar passar
Passar parar parar passar


eu passo e paro:
entre isso há tanta coisa.
vejam as estrelas.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

a fé anda devagar

eu confio na minha fé.
eu confio nela.
com um fio vou tecendo minha casa.
com janelas vou colhendo cantos e flores e loucos.
minha fé confia em mim,
vou conzinha-lá em óleo de jasmim,
vou escrever em árabe, japonês, francês
e provavelmente em língua enrolada em coração de amor.
gente, minha fé é cheia de esconnderijos de gentes.
hoje mesmo encontrei uma gente que está num buraquinho dela.
ela vinha andando euforicamente na minha direção, bem vestida,
bem empregada provavelmente e com aflição. passou perto de mim e
com raiva jogou sua revista Time em frente ao meu pé. Ela jogou
sua falta de tempo de mim.
Minha fé lhe deseja passos largos
e deseja também que ela perca sua estação de metrô.

eu tenho parafusos horários.
e posso dizer que o tempo é dorminhoco
e ele não faz nada quando não quer.
então,

atenção. não jogue suas lágrimas, nem suas risadas no chão.

aperte um botào. faça o relógio parar por um minuto
e ops... parei de funcionar. até breve.

sábado, 20 de setembro de 2008

tambores/ fagner

G G5-
Passei esse tempo todo andando comigo
G4 G
e só devo lhe dizer que tenho esse sentimento
G4 D F E
antigo / Uma vez por ano no natal
G D/A
eles compram meus lindos cabelos
F/A E/A
uma vez por ano no natal eles compram
G
meus lindos cabelos
F/A G
E pensam que me conhecem mas só me entristecem
(G G5- G4) G4 G5- G7
Tambores, tambores tambores

e um coração apaixonado
G4 G5- G7
(Tambores tambores tambores)Por esse pequeno
sentimento
e o meu pobre coração(tambores tambores tambores)
já não cansa de ter tantas saudades(tambores tambores
tambores)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008



seja como for há de vencer o grande amor.
um pálacio construído de pernas e vozes.
e uma chuva de cheiros em inundação
vão preenchendo meu coração.
nossa, mas que confusão disse a outra em outra língua.
um entendimento de ruídos, uma bíblia de baguetes.
mais uma estação e chegarei lá onde terei um ouvido só
preu ouvir essa canção. canta.
tudo bem eu posso esperar.
pourquoi pas? eu já estou caminhando de novo.
vendo os monumentos e os sorrisos.

agora é maintenant.
eu me mantenho num sorriso de fé
e numa marcha de desejo, um pouco
pálido, mas ardente.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

um passo aqui é sempre lá.
uma janela lá é sempre uma nova lembrança pra brincar
um mar de lá é quase um céu que me faz banhar.

terça-feira, 2 de setembro de 2008


IMAGEM: O vento sobre o lago, a imagem da verdade interior.
Só perdura e se consolida o que está de acordo com as leis celestiais.
O vento agita a água porque é capaz de penetrá-la.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

enquanto eu estendia roupa no varal
o sentimento de fresco e cheiroso
me arrebatou na certeza
de que, fatalmente,
isso que faz paz toma chuva.
às vezes e sempre.
ainda dorme o roxo
numa nuvem que flutua
neste coração escarlate.
já choveu uma nuvem
cintilante, uma chuvem
de fagulhas.
mas você deixa tudo.
deixa o tudo de cores, você.
ou eu. ou o dois que se comporta
numa cama laranja.
não tem beijo final.
mas tem a melodia de um
beijo-dia, azulzinho.
eu deixo essa carruagem,
carga de grande amor adentrou
um túnel sem cor, sem cor.
e o olho ainda finge que vê porque o olho sente
e no olho mora todas as cores.
aonde há cores, há movimento.
mesmo que seja uma pedra.
like a rolling stone.
que venham frutos flores e sementes
e pedras e montanhas e jacarés.
lobo-mau se redime dentro de mim.
eu pedi desculpas pra ele.

"meu sol eu pintei de verde
pra enxugar as lágrimas
se eu precisar."


um beijo incolor.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

aguento o peso da fumaça de ônibus
escuto a música dos motores enfurecidos
mas não sustento essa capa dura desse livro
não escrito dentro de mim.
é uma espécie rara de livro-trilho,
trilha de cinema.
e dentro dele tem um almanaque
com informações de um século inventado
que se passou num quarto de um castelo de papel.
a vela apagou, é uma pena.
isso foi escrito arduamente à pena,
no bico de uma revoluç
ão sentimental.

são tantas. e o ruído passa.
árduo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

nunca é azul
quando no meu leito
é sul e os ventos sopram
em outra direção...
o sonho se veste de roxo,

a polpa de tanto azul
nevoado e afagos desencontrados.
um monte de amor lilás que não pude entregar
por falta de céu habitante.
eu nào quero mais o tanto...
só quero um bocadinho de céu
com um verdinho do lado e uns pontinhos pretos.
em um dos pontinhos tem um abraço laranja,
um sorriso - que quando mais você chega perto,
mais infinito ele parece, e um olhar de um amigo desconhecido.


eu não quero mais conhecer.
não quero tanto. estou me
dissolvendo, e esses rostos também...
e esses braços, abraços e excessos.


eu me cesso,
neste amor que eu invento tanto
que eu brinco tanto sozinha
que eu partilho com meu céu de boneca-andarilha
eu me cesso neste movimento de bailarina

num chão de nuvens, esquecendo olhares-amores.

não precisarei mais.

eu vou.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

video


qual é a minha sensibilidade, meu calor? minha dor (ex),
medos visões (gestos= mãos, jeitos de olhar, não-olhares)
/ sonhos.
quem nunca posso conhecer?









video/ julio lobato

quinta 01h


ontem arvorilhei
hoje juliobei.
estou tremulicante e uivoloucada.
eu me perdôo.
a cidade antecipa uma aridez.
as chuvas que não vêm me fazem querer descansar em você.
me dá um você.
vou escrever você de batom no meu corpo
pra ver se eu acordo da realidade.
quando eu lembro que a realidade é um filme, eu me perco.
eu me perdôo.
estou deixando a loucura
falar por mim porque assim
não me conheço tanto.
descobri que a melhor intérprete de mim sou eu.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

escapulário

ext/int dia/noite:

um templo de celebração
do intempestivo.
entram cinco deuses marginais,
enquanto um deles está presente em espírito.
porque nesse templo você entra pelo coração e
torna-se presente através do amor.
depois, vào chegando outros,
trazendo a força da delicadeza masculina.
com estandartes coloridos,
autorizam o poder marginal
em sua glorificação das miudezas.

gostar de alguém é tão miúdo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

condução

meu coração precisou sair à procura,

e pulou a janela.


minhas lágrimas precisavam dançar,

tinha uma escada. correndo os degraus.
um dois três.... rápido.


não tinha ninguém pra segurá-las.





morte súbita. durante dias.



e o coração fugiu às escuras noites e noites.


um século de olhares perdidos na minha cama desde então.


os cavalos puxam, enlouquecidos,
...

o que, meu deus?

vai

eu queria escrever, mas estou rouca.
eu quis ouvir aquela canção, mas.
eu não quero cantar sozinha.
só, que, quero poder estar só com você.
quero estar só, eu e você. eu, aqui, sob um sol qualquer,
e um livro de alguém que gostaria muito ter conhecido.
e o seu silêncio me aceita?



podemos perguntar ao mar. mas,
as cores nos confundem. ou só a mim?por que eu finjo
que entendo o que quero dizer? mas,


eu entendo,
só depois... bem depois. depois do depois
do momento que virei a esquina e descansei
na ilusão de não ser vista por ninguém.
não gosto de chorar na frente dos outros
quando não.... não o que?


eu falo, falo, falo,

fálico.
eu quero comer antes de ter vontade.
pra ter certeza do gosto.




porque eu quase sempre desconfio,
mas eu gosto tanto de inventar histórias.

então, me empresta este fio,

e me mostra a direção.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O andarilho

Eu já disse quem sou ele.
Meu desnome é Andaleço.
Andando devagar eu atraso o final do dia.
Caminho por beiras de rios conchosos.
Para as crianças da estrada eu sou o Homem do Saco.
Carrego latas furadas, pregos, papéis usados.
(Ouço harpejos de mim nas latas tortas.)
Não tenho pretensões de conquistar a inglória perfeita.
Os loucos me interpretam.
A minha direção é a pessoa do vento.
Meus rumos não têm termômetro.
De tarde arborizo pássaros.
De noite os sapos me pulam.
Não tenho carne de água.
Eu pertenço de andar atoamente.
Não tive estudamento de tomos.
Só conheço as ciências que analfabetam.
Todas as coisas têm ser?
Sou um sujeito remoto.
Aromas de jacintos me infinitam.
E estes ermos me somam.



(manoel de barros)


eu tenho uma afeição cotidiana por pessoas que ventam...
gente que caminha, caminha e caminha.
tenho alguns amigos-desconhecidos com desquems
sempre encontro. ultimamente, não os vejo muito.
devo estar distraída de andanças.
mas tem uma personagem incrível por aí.
a primeira vez que a vi foi na glória. ela é mulher-feita-de-homem
e gosta de se vestir. maquiar. usar saltos. pentear os cabelos. e caminhar pro aí.
um dia desses dei uma bala pra ela.

os andarilhos me são.
Eles se coisam e me descoisam.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

companheiro

Quaselá resolveu cantar.
Assim, agorinha...
no mesmo compasso,
denoitinha. Preu drumi quietinha
e poder sonhar bonito.
O pássaro tomou cisma de me acompanhar
ou d'eu escutar ele repetir moda cega?
Ele não dói, ele pica.

A saudade é sempre virgem.

ato ínfimo

primeiro,
um beijo amarelo num lugar desfocado.
segundo,
dois beijos prateados num oceano vermelho.
terceiro,
três goles sedentos de uma chuva de flores brancas.
quatro, quatro, quatro, vazio.
um quarto de saudade - sentimento do preenchimento.
mas nunca chega ao número quisto.
nunca é visto. jamais.


já, mais... cinco, seis. quantas vezes eu digo sem dizer?
quantas vezes ela quis sem saber?
"você é a última da fila".
mas Ela se sente ainda virgem entre as notas do querer e do saber.
Então, foi contando as árvores na estrada através da janela do ônibus.
Pensando no amor, as equações indizimáveis de quase-afetos,
de quase-lás.
Quaselá é um pássaro de invenção,
só canta quando eu ouço.
E tem cantado tanto.


Mas agora parou. O relógio parou.
Aí...
a saudade ganhou nova estimativa:
um índice extraordinário,
saiu das rodas da bicicleta e ganhou céu.
Saudade é uma quantia com vírgula e infinitude.
(vírgula pro querer
e infinitude pro saber).



A saudade é sempre virgem.


Então Ele foi passear na escuridão,
despiu seu traje de fêmea-pétala
e não chora mais. Nunca enquanto
dura a imagem de um beijo.
Este beijo mora na saudade.
E não acontece porque pertence ao infinito.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

estridentros

ecoa. um giro neste espaço do entre-dentro/dentre. os dentes estão afiando para colher palavras nos ventos, nas nuvens, nos olhares e nos tocares. ontem, doeu adormecido. e enquanto hoje chorei um banho. estou deixando.
um instante:
fui passear nas possibilidades...
queria fazer um discurso de beijos e abraços/ está aceito: escolha.
"a incrível possibilidade das escolhas se escolherem e serem propriedades de um caso chamado vida".
por favor, vamos marcar este espaço com nossas risadas e gritar para si "não esquecer de sin ser".
e depois, um tropeço para se esquecer no abandono de um canto, entre paredes (soa o longe de um pássaro invisível), e somente um prego solitário sustenta uma eternidade onipresente do lar.
vou depositar uma carta para mim, para que depois o outro leia o que eu em tempestade escrevi e esqueci. (mas para você que sabe que é você: não me engane).

tento novamente. volto ao começo:
o discurso inicia com um beijo desfocado num lugar amarelo.

e depois, voltaria no tempo,
onde comi todas as palavras que eu conhecia e daí virei bicho de gente.

e, mesmo como todas as janelas abertas,
escurece.



... e a velha a fiar.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

voamentos

eu como olhos.
eu cheiro os sentidos.
um dia eu passeei lá no hoje.
e ontem,
as formigas me comeram.
atrás das minhas cortinas de flores
e insetos, o amor do pensamento
funciona como sol.
os motores caminham no absurdo
e o lar me aprisiona na liberdade de brincar.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

caminho enquanto formiga
dentro de uma pensamento
de estar formiga..
pra lá e pra cá
sem destino
elas nao param de trabalhar
na leveza de uma missao de amor
reconciliado, desenfreado e nao-financeiro:
é o exercicio da fé com andor.

terça-feira, 10 de junho de 2008

um manto oceânico me cobre:
ondas de cobre,
com essa densitude
me larvam:
ondas vulcânicas
peso-pesado
de aura amarela e prata.
pra onde vai o enredo de tanto sentimento?

domingo, 8 de junho de 2008

hoje eu não sei
o dia não sabe de sua brancura
e não conhece o tamanho de sua fome
minha cama ainda acende em abraços
memórialarga de um afago saudoso
alargando minha capacidade de se emocionar
vôo em azul e lilás...
mas aonde está o laranja do seu olhar?
o dia em encontro de música e olhar.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

filosofia de ontem


"na base do topo mora a esfinge.
o segredo está em experimentar
com a boca limpa de esquecimento
e verter o sabor insípido do presente intempestivo.
Invertendo os ângulos e não parando
nas travas e arestas,
contorna-se o falso esgotamento do tempo.
E o espaço é fecundado.
Quando é-se, as rachaduras se integram e se formalizam.
Onde há pensamento há vida."

quinta-feira, 29 de maio de 2008

sopro


hoje eu estou com vontade antiga.
quero palavras de anteontem...
quero um vento de palavras que soprou no acordar de sábado.

eu quero o querer.


caminho em gerúndio
pra não perder a experiência das sensações
mas me alcanço tão aérea que descanso
no colo de uma velocidade colorida e faiscante.


dou passos lentos. eu te espero.
mas me acompanhe por favor...
agora estou saltando daqui
para a direção do vento e
um pio de pássaro no contratempo.



eu não me preparo para o tempo
mas ele me prepara para a ação.
hoje não sonhei...

a vontade quer jorrar
em atualizações...


um sopro ainda é muito pouco
pra este coração tão revirado.


mas a maré mudou.
e eu continuo caminhando sobre as águas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

piscara

quisera eu
pudera eu
pondera eu
espera eu:
olhá lá vai passando a multidão...
multi é unidade neste mundo de imagens.
hoje vivi uma tragédia de ontem, imaginei fotos no jornal,
visualizei cenas de um terror de amor.
o absoluto é o amor. é a única forma absoluta.
nem a morte é absoluta.
a morte leva um e deixa milhões.
ões ãos heins. os sons também são imagéticos.
pense num nome. até os nomes têm suas imagens-formas.
quem dá sentido ao tudo, é o nada de tudo. hoje,
não sou que escrevo. eu é um outro.
eu juro. eu
prometo que amanhã volto para mim. e aviso quando chegar.
dê notícias deste mundo. aquela mulher bonita está grávida,
em outro continente. e isso é tão importante.
pra quem? quem considera o que importantê? importanter.
i love you honey. Te quiero. Vou usar outras línguas pra me comunicar.
Hoje, é incomunicável. Vou me dar uma senha pra falar com você.

hoje é invisível. amanhã é indispensável.
ontem é uma possibilidade. sempre é quando.
de vez em quando é eterno.
mas tudo é formal. acho que essa spalavras nào se encaixam na lei,
no projeto. me prendam por favor!



eu solto meus pássaros quando você me ouvir.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

transparência

ontemmmmmmmmmmmmmmm
meus lençóis eram de piscina,
mas uma piscina quase vazia. eu estava deitada






dentro dela e
tinha umas poças verdes e marrons
rasas quase poros de umidade. mas eu
ainda não sabia





que/estava ali. e me incomodei com aquela
sensação desconhecida. me en-minhoquei na cama
fuçei em extremos
fui polvo de mim.
tentáculos de desejo.
pés virando mãos. ///
//////////////////





saltei. virei gente com dor
e pegadas. me en-varandei:
uma noite de clareamentos.
clare-cimentos.
fui edificando meu pensamento.
eu me construí num espaço cênico
num chão preto preto e
eu passava ferro no chão, no lugar
onde iria me deitar.




eu entendi que necessitava deixar a noite entrar.


e ela me aqueceu.

homenagem à adelia prado

a poesia abaixo foi escrita por ela, essa mulher que tão sabiamente poê Deus em minúcias.... e ontem à noite cheguei em casa ávida por poesia, por encantamentos, me deito sobre isso. Obrigada.



BULHA

Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pegados na minha roupa,
vou olhar os meninos nas suas camas.
O que nestas horas mas sei é: morre-se.
Incomoda-me não ter inventado este dizer lindíssimo:
"ao amiudar dos galos". Os meninos ressonam.
Com nitidez perfeita, os fragmentos:
as mãos do morto cruzadas, a pequena ferida no dorso.
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo: "Acho que fica melhor com babado"
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos
olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?
Eu bebo água e é uma água amarga
e acho o sexo frágil, mesmo o sexo do homem.

quinta-feira, 20 de março de 2008

viagem

em quadros
paisagem tão verde,
verde de chorar.
e a terra da cor que eu queria me pintar.
hoje entendi a perfeição à velocidade:
era brasileiro e era produto para exportação
era uma paisagem aérea de tão etérea.
eu amo tanto. a paisagem ama também.
estou escrevendo tolices,
reflexo do meu estado de pré-essência.
eu queria mostrar pra alguém,
mas o que eu vi não era de se ver,
era de fazer mistura no olhar,
era um prato típico da doçura de olhar.
verde-de-chorar, azul-sonho e rosa-terra.
eu deveria mostrar,
mas não posso,
nunca poderei,
é um segredo...
na volta eu passo lá.

sábado, 8 de março de 2008

números

apaguei as palavras que eu acabei de escrever,
mas ninguém pode saber, nem mesmo eu.
vou tentar esquecer e inventar em mim um outro
pensamento. os pensamentos em dígitos,
bêbados de numeração e tensão.
tensão de acordar e ser matemática.
ser geometria. gostei dessa opção,
amanhã acordarei e serei um teorema,
ou melhor uma teoria-plus-quântica.
assim não precisarei me entender e perguntarei
a alguém.
...
...
esquece as reticências. não demorei muito a repensar
que na verdade, justamente, bem apertadinho.
o que eu queria era não precisar de alguém.
alguém é tão inconcluso, não cabe em teoremas.
talvez em teorias. mas alguém seria uma hipótese.
vamos falar de produtos.
eu quero um pensamento-produto,
e amanhã terei um fresco
(tive que apagar e reescrever, mas foi uma lerdeza de raciocínio):
amanhã serei um pãozinho quente cheio de raciocínios fermentados.
...


esquece. chega de pãozinhos.
amanhã não serei pequena mesmo.
hoje fui um pouco (quinho).
Abrirei os olhos e estarei como
um cientista certo de sua teoria, antes

de tê-la escrito.

nosssa como estou desconfiada,
acho que não acredito tanto assim nas
leis. na ordem. na cronologia ou
mistificação do pensamento.
mas eu juro que gostaria.


eu acho que é mais díficil
ser descientífica.

sexta-feira, 7 de março de 2008

petit-déjeuner

hoje quer fazer sol.
hoje quero ser alguém,
não tão importante,
alguém como algo
de comer, sim.
alguém não necessariamente necessário,
ma usualmente incrementado:
cheia de aparatos,
vou me emparelhando
e acendo e desligando,
apertando todos os botões.
hoje quero ver como as coisas
funcionam.
hoje, o café da manhã queria ser café da manhã
com suco de laranja, morango, banana e conversa.
hoje o café quis ser conversa.
e a vírgula quis ser ênfase.
hoje eu vou dar mel pras vírgulas.
elas se tornarão abelhas e aglutinarão
as palavras à sua pre-existência.
hoje vai ser lindo.
não vou explicar às abelhas, nào quero me justificar.
deixa a pontuação de cada ser,
deixa o hoje querer.

quarta-feira, 5 de março de 2008

cotidiano

cena 1:
escorrem lágrimas enquanto caminho. mas é de frio.


cena 2:
um senhor que tocava guitarra no metrô parecia um ator
de cinema italiano, mas cantava em inglês. ele fez o casal
ao meu lado sorrir. o monsieur e a madame eram bonitos. ela
tinha grandes olhos verdes e gesticulava em francês. eu quis imitá-la.
eu irei.

cena 3:
fez sol e eu saí de onde estava para fumar e pousar minha face ao sabor do sol.
ao meu lado tinha uma porta grande. de lá vem um homem em cadeira de rodas.
eu quis ajudá-lo mas não precisou. ele veio rapidamente em minha direção. ele correu
sme correr, em rodas, lentamente. olhou pra mim seguro, firme, pretensioso. e eu fiz um
gesto como se perguntasse se ele queria alguma coisa. ele queria alguém pra falar.
eu não entendi sobre o quê. fiquei pensando nele segundos após. depois esqueci.



cena 4:
entraram umas cinco mulheres juntas no vagão em que eu estava.
e o vagão estava cheio. quando o trem partiu, elas cambalearam e desmontaram
em cima de uma outra mulher que estava no canto. eu vi. uma das meninas que empurrou
tornou o rosto e sorriu. a outra demorou um pouco. se preparou para pedir desculpas.
eu vi. ela fez um gesto sombrio ao virar o rosto e quase não olhou para a mulher impressada.
tão logo, disse: excusez-moi. A en-cantada deu um sorriso, parecia sincero, des-encanada. mas em um instante, quando a outra se voltou para suas amigas, ela fez uma careta de criança. eu ri sozinha porque eu vi.

segunda-feira, 3 de março de 2008

primeiros atos



...poderia eu ser atraente sem ser demasiado inocente,
eu não sou mais. eu poderia ter um olhar veemente e
despreocupado, e te acolheria em meus olhos, com mar ao fundo/
... caminhávamos, sem nos saber, estávamos conhecendo o inverso
do que temíamos. já éramos duas almas embriagadas pela vontade de
amar, o amor, o ardor, o calor, a cor, a dor e a arte/
... entao eu estava trivial e você usava óculos, mas você sempre usou.
mas neste dia vi melhor suas sardas. e sardas são tão elegantes/

pausa:

falamos pouco e ouvimos os pássaros. era um verde sujo, um verde
que queria ser amarelo mas não. os velhos gostam de andar. eu gosto tanto de ver os
velhos andarem.


triunfo:
eu estava clara, mas nao estava pensando em certezas.
e você me disse que tinha essa sensaçao, plena, de estar em casa, em outro pais.
eu disse que nao. mas tao logo me surpreendi agindo de uma forma que so faria
em meu lar. tudo porque estou distraida.



cinema mudo:
nos inventamos. estamos num filme antigo
e na radio tocam musicas que detestamos
mas que completam nossa teoria do conhecimento,
do absurdo de ser conhecido.


partimos entao felizes.

... voce me revela um segredo da sua intimidade
masculina e eu acho muita graça. me sinto em casa
sabendo. estou rindo de outra historia, pela noite
de uma cidade inventada que nem conheço.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


saudade de outras.
idade, da flor
da casa do sótão
do chão escorregadio
do furo, na porta
estava eu colada
à espera de um encontro,
de um absimo,
de um rabisco da estrela.
de um agito.

sábado, 16 de fevereiro de 2008


num quarto, uma luz vermelha,
lençóis vermelhos, travesseiros vermelhos,
uma janela bem grande de frente pra cama,
não posso dormir, o mistério me espera, amanhã
será mais frio que hoje, terá sol, e a lua arde lá fora,
bem em cima de mim, sem dó, sem mote, sem nota ou
canção, sim, ouço aqui dentro, não pára de tocar, mas são palavras
discursos necessidades de evasão, amanhã vou emigrar de mim
para um vestidinho florido e um campo iluminado com sol de meio-dia
num continente desconhecido, numa ilha-louca, e encontrarei um homem, ele
se senta ao meu lado, acende um cigarro, e depois se vai, mas deixa um cheiro,
um cheiro de outro amanhã, em outro continente, e lá não há bancos ou estações, não há esperas,
era uma vez nos encontramos mergulhando então e também nào havia vestido, só flores,
aí eu vesti o homem com flores e ele nào falou nada, nem riu, nem chorou, nem se emocionou
mas também já era alguma coisa, ele tinha flores, cada uma tinha um nome que coloquei
mas agora me esqueci e aí eu parti e depois em outro estado, depois desta vírgula, cresci tanto
que tive dor, dor de amor, dor de vontade e nem sabia que essa dor existia, mas era a vontade
me dando beliscões, tive dificuldade de escolher uma rua, qual é o nome desta por favor,
tomei uma cerveja cara porque só tinha esta e encontrei uma criança no caminho e aí
já estávamos subindo uma montanha muito grande, tinha neve no pico, era bonita porque era meio cinza meio verde, e a criança era meio azul, com cabelos muito pretos,
e me perguntou se gostava de brincar de palhaço, achei engraçado dizer brincar de palhaço
porque é como se o palhaço nào existisse antes da brincadeira, bom pelo menos
este não,
ele dormia muito e acordava no meio da noite
cheio de bolas coloridas no corpo e assim tinha que
brincar e se empalhaçar, eram os beliscões
de vontade de rir,
então se jogava no amor do mundo
na multidão e procurava uma senhora
de cabelos bem brancos e batom vermelho que lhe
dissesse,
nào sei o que ela lhe disse
mas sei que sempre que a procurava
ele perdia o nariz de palhaço vermelho
e suava muito, mas nunca lhe perguntei,
mas perguntei ao homem que se sentou ao meu lado
você gosta de brincar de
palhaço
e
a luz do quarto ainda é vermelha
e vejo a senhora flaando sozinha
encontrei
seu batom na esquina
e ouvi o barulho do poste
parecia um mosquito
vou procurar um mosquito:
agora estou num lago, ainda
é vermelho, mas não é quente.

domingo, 3 de fevereiro de 2008


bom, para compartilhar o que tem ouvido meu silêncio. aqui, no espírito african-beats de Paris. assim, andando pelas ruas e encontrando a mistura disfarçada em fachadas seculares. bien, je trouve ètrange o "ne me touches pas". então, não há olhares. mas muito som, pouca difusão. aí, um pouco da minha alma soul.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

suave distância


me sinto sempre ensemble,
voz unívoca de mundos extra-ngéres,
rangem cores absolutas no vazio da minha
persistência. sim, o que persiste se cala, dá
voz ao silêncio. surdo e louco, oco.
suave distância doux,
açúcar na escuridão.
a chuva se cansou de mim,
a cultura posta à mesa,
ao sabor dos desgostos,
ça... c'est possible.
olhar pro vagão das diferenças,
acordando o repouso da massa:
entropia: -------------- vão.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

o longe é tão perto nessa língua que me enrola
em hábitos estrangeiros, um travesseiro com
conforto de ausência. minha novela é vaga, escrita com folhas vermelhas
caídas de um céu desabitado. sou um anjo caído e tenho minhas dúvidas também.
não conheço atalhos, mas perfuro o desconcerto. as ruas e suas vírgulas,
os homens e seus encantos, seus pontos de intersecção. o homem
e sua magma distância do gesto encarnado, parece tudo silêncio,
mas é plena exatidão. o chão que caminho com asas no olhar e
silêncio no coração.