terça-feira, 27 de novembro de 2007

vou escrevendo enquanto escrevo
vou imaginando enquanto sinto meus dedos
meu corpo sentado num paletó-riscado
manchado de passagens por
sertões muito estreitos
a gora
a gonica
perto de uma beira
de uma curva
me esgueira
me sussurra
vá com Deus.
não fique, vá.
ir é simples, pequeno,
contínuo. me satisfaz no rir
também.

vou rindo,
lágrimas escondidas
nos músculos in-gratos,
mendigos....
súplicios não me confundem
mas fundem na alegria de poder ver
um dia sim-nào,
um quase senão.

corrimão de intenções
sinalizando um ramo
de flores transparentes.
tão lindas que nem existem.
quero me desenhar
em palavras-folhas
umas no chão pisadas
sobrepostas
umedecidas
pela terra-quente-que-molha-frio

um corpo vivendo
as historias que só
correm aqui neste afluente
influente,
veredas invsíveis?

os sentimentos conhecem
os desejos que sabem um pouco
dos limites dos movimentos
que sabem muito sobre
o espaço-tempo....
as folhas caem
monotonias-cadentes.


já emprestei
meu contorno,
meus adornos,
minhas periferias....


posso emprestar meu rio,
minha estrada,
meus cruzamentos....


meu desenho
não me mapeia.
meu relevo é sempre visto de cima.
o que vem de baixo?

quero me desenhar
em folhas-verbos,

uma valsa de
chuva verde num fundo azul
e todos cantam por um.