segunda-feira, 12 de novembro de 2007

amanhã ser-te:



gosto de tomar banho
e me demorar nas gotas
de vapor no vidro.
em como elas escorrem
e se procuram
para esquecer.
para desaparecer....

deixa as manchas pra lá...

afago do final

My dear,

meu querido
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estava pensando.
não. eu estava andando pelas ruas....
as luzes não me deixavam
des-perceber os limites
dos caminhos. mas os caminhos
se despertavam em ondas
gigantes. e eu via as luzes,
bocas gigantes me devorando,
fortalezas e objetos em 45 graus.

um horizonte de pensamentos
passados me assaltavam na
porta do sinal. e lá estava eu
solitária caminhante
passarela de instintos
des-percebidos pela
realidade contagiante.

ah, e minhas fantasias.
eu pensava, o que fazer com elas
à distância dos sentimentos
concretos? se eu e você, em verdade, não
estávamos lá.... quem estaria?
Quem será esse outro ser imáginario que
me habita? que inventa aqui um novo
caminho, uma nova rua, coisa moles
e objetos tão desconcertantes...

eu quebrei o brinquedo que
você me deu. Nào porque eu
não gostasse mais dele,
e sim porque você não estava mais nele.
o brinquedo era um extensão
neuronial-abissal-
riso solto de você.

mas as molas ainda existem.
neste momento,
são elas que me lembram você.
não ache graça,
mas são as molas que diminuem esse gosto
de fruta da infância que me traz a distância:
dos desejos.
as molas me fazem rir e chorar.

é com isso que eu vivo!