segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Pensamento de chuva

O cheiro da chuva entrou e me sitiou. Num terreno com cercas e muitas montanhas. Os silêncios dos grilos me falavam. Era uma segurança invocada o que me acontecia. E me fugia das luzes negligentes do urbano desmedido. Era então medida de segurança o que se urgentava em mim?

Mim. Eu percebi, ao pensar este estado de sítio, o quanto pensava em 'eu" agindo como se fosse não-eu: um corpo evocado. Por exemplo, pensando sobre o que faria amanhã, atinei sobre a maneira de pensar meu corpo fazendo estas coisas como se fosse outro corpo, um corpo reinventado, um corpo do amanhã. Mas hoje pensei em mim, não em "eu". Mim mesmo.
Fazendo amanhã não serei eu, serei mim. Os grilos que cantam hoje serão os mesmos que cantam amanhã? Não sei. Fico feliz de não saber. Eu me erro. E é tão forçosamente estranho me acreditar pensando - como uma chuva escura incansável porém tranquila. Eu me ainda quero lutar.

Daqui de mim,
vejo um lugar longe
chuvoso silente manifestante
de onde o mundo é mais tocável e curioso.
Daqui de mim,
não é só.
É voz errante nas colinas do sentimento.