quinta-feira, 2 de agosto de 2007

um vento em mim

eu vi as sombras dos pássaros no verde da mata...
rastros de um vento forte que passou por mim...
durane milênios. durante.
seu verbo não era durante. era estanque.
me congelou. muitas vezes... todas.
era água na rocha. era vento bravo...
seu vento passou por mim e me desmontou. muitas vezes...
todas.
era dificil acreditar que uma soprada conseguia me parar.
como um vento pode fazer alguma coisa parar?
o seu vento podia. vento destrutor-construtor...
um andarilho no ar. sempre queria saltar...
saltos invisíveis. invisível e assustador
como uma tempestade no mar. como um trovão
alucinante que não sabe o que vai matar e o que vai criar porque era instante. era brilho intenso, imenso, quase-já.
"em mim algo brilha, mas vou morrer sem saber o quê."

eu vou viver sabendo que o amor por um trovão, por este corpo-vento, por este verbo-porrada,
por você-eu é duro como uma rocha, indestrutível.
é fonte de mistério e curiosidade. não é claro como um brilho, mas é chama na escuridão.
um andarilho passou por mim e ficou. ao lado sem lados. porque não era calmo, era tentação...
era percepção de uma relação contra-vaidades, contra-recalques, contra-acomodação.
não era pergunta, era contestação.

"você fica linda de amarelo". eu sorri, fiz um charme disfarçado e você me revelou.
você não queria charme, você queria explosão.
era muita larva no seu âmago e você não tinha medo de vulcão...
Você olhou bem de perto pra ver, não pra encontrar. porque você não acreditava em disfarces
dos encontros. O encontro era. Nosso encontro é.
Eu tive medo porque não sabia ser outra coisa pra você.
E você sabia quem eu sou... você quis o que eu não sabia de mim.

"Quando eu perder o sentimento da observação, já estarei a caminho, o olhar me sufoca incessantemente à procura, mesmo que não queira encontrar coisa alguma."

O mar bate nas pedras, e não tem precisão. Não tem sentido de devir.
É só: necessidade de colisão... sem aproximação penosa, sem ajustes.
Sua voz era de colisão sem ajustes. Sem disfarces. Sem nuances.
Sem entre-linhas.
"vai ser gauche na vida".
um torto à espera de uma mira, sem-espera.
Já. Peraí me dá um tempo pr'eu preparar.
"preparar o que?".... é agora o meu tesão. A solução
é Não ter futuro. Pra que pensar nele então?.
um futuro de um andarilho no ar é caminhar fora do tempo. Sem prerrogativas,
sem resolução, sem conclusão.
Cada passo é muito longe....

Longe. Tão longe que o perto se descontrói
e fica pairando no ar. Vento incessante e infatigável...
Parece fumaça, parece sem-ar... paece desistência de uma resposta.
Não tem resposta. Você me congelou e ventou meu olhar para nenhuma
direção. Fiquei parada, sem resposta, quase-já. Querendo me afogar
no seu olhar. Eu quis te desmontar, muitas vezes...
todas.
E nunca consegui.
no fundo eu sabia que não ia dar conta
de não poder te cuidar.
Sua aparência frágil, mundana
era longe demais pra mim.
o mais perto que eu pude chegar....

Hoje faz sol. Meus olhos ardem.
Meu corpo paira, cambaleia...
Nervuras do real brilhando
no meu ser. E tudo parece você.

"E amanhece mormaço pois as nossas fumaças descansam.
Eu andava sempre, mesmo sem saber a hora de parar. "


Nao pára. O seu brilho era exatamenta o não-saber,
era o querer. Meu andarilho do ar.