sexta-feira, 13 de julho de 2007

caminho

tenho alguns recursos
pra cena:
um corpo,
algumas tirlhas com pedras, tijolos
e água.
um som sem som.
movimentos
sem pausas,
sem respiraçào.
um cinza tóxico no ar.
um lago abaixo dos pés.
uma multidào assistindo embaixo.
não é um assassinato,
nem é uma investigação.
é uma possibilidade.

move

vou escrevendo
assim
enquanto
movimento
no entanto
são tantos
os momentos
em um corpo só
só, mi, ré, dó.
na contra-mão,
no pé da mesa,
na palma da mão,
com a cabeça fria,
ao redor do umbigo:
tudo é proibido.
mas quem tem acesso livre
no território da loucura
de ser gente.
não ultrapasse,
zona de perigo.
ser gente pode,
ser humano não.
uma não, passa boi passa
boiada....
só não passa...
com a cabeça quente,
com o sangue fervendo
com o ranger dos dentes...
somos bicho-gente-multidão-um-só
música estridente no meio avenidas multicoloridas
de percurso tão incerto quanto o certo.
move vontade. pra que lado mesmo?