domingo, 2 de dezembro de 2007

asas do desejo

parece que estou ouvindo mais.
não como as coisas querem ser.
mas como elas são...
se um dia não existirem varandas,
eu sentirei falta.
eu vi quatro pássaros brincando,
não estavam voando.
eles brincavam entre si,
num contínuo de aproximação
e distanciamento.
se bicavam e se afastavam....
ficaram assim no chão de um prédio antigo.
quando se abre uma janela
é para ver ou para encontrar?
a moça foi à janela. não sei como ela era,
mas estava ao telefone. procurava.
sinto um vento nos meus tremores.
agora, escuto mais.
agora, outra moça vai à janela.
outra janela.
as janelas estão abertas ao dia branco.
ela está de vermelho.
e vejo. um homem.
abraça-a por trás. envolve seus braços nela
para que possam olhar juntos,
como um só. não se procuram,
porque olham.
e ela gira seu corpo em baile
para o homem de verde.
o vermelho e o verde se beijam.
um vôo antigo de janelas.
minhas cortinas balançam
para as neblinas sobre as montanhas.
preto e branco. asas de pensamento
se dissolvem e o branco nào deixa ofuscar minhas
cores vibrantes.
se um dia,
sem varandas,
escutar melhor:
as crianças gritam quando brincam...
não sei de onde vêm.

a vida se ouve.
se ouve o que não se sabe mas
se deseja.
como o verde que
parece o vento que chega em mim.
é o verde ou o vento que chega em mim?
eu narro uma estória antiga.
me sinto tão antigamente nova...

a vida pode ser um monumento
demolido. muitas frestas,
pedaços de concretos,
mas não desagrupamentos.

eu vejo, de camisola.
eu sinto os dedos trêmulos.
um corpo tão pequeno:
os mínimos movimentos.
de cima, tudo é lento.
os fósforos riscam sem intençào,
mas querem acender.
o que?