quinta-feira, 29 de novembro de 2007

um quadrado
dentro, formas geométricas,
sempre com arestas encurvadas.

bi-cubismos...
passa um pé.
passa outro.
mão. uma bolsa laranja.
uma mulher muito feia. pena.
paralisia.
anda. anda anda andadá'dá'dá


não pára nunca.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

vou escrevendo enquanto escrevo
vou imaginando enquanto sinto meus dedos
meu corpo sentado num paletó-riscado
manchado de passagens por
sertões muito estreitos
a gora
a gonica
perto de uma beira
de uma curva
me esgueira
me sussurra
vá com Deus.
não fique, vá.
ir é simples, pequeno,
contínuo. me satisfaz no rir
também.

vou rindo,
lágrimas escondidas
nos músculos in-gratos,
mendigos....
súplicios não me confundem
mas fundem na alegria de poder ver
um dia sim-nào,
um quase senão.

corrimão de intenções
sinalizando um ramo
de flores transparentes.
tão lindas que nem existem.
quero me desenhar
em palavras-folhas
umas no chão pisadas
sobrepostas
umedecidas
pela terra-quente-que-molha-frio

um corpo vivendo
as historias que só
correm aqui neste afluente
influente,
veredas invsíveis?

os sentimentos conhecem
os desejos que sabem um pouco
dos limites dos movimentos
que sabem muito sobre
o espaço-tempo....
as folhas caem
monotonias-cadentes.


já emprestei
meu contorno,
meus adornos,
minhas periferias....


posso emprestar meu rio,
minha estrada,
meus cruzamentos....


meu desenho
não me mapeia.
meu relevo é sempre visto de cima.
o que vem de baixo?

quero me desenhar
em folhas-verbos,

uma valsa de
chuva verde num fundo azul
e todos cantam por um.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

amanhã ser-te:



gosto de tomar banho
e me demorar nas gotas
de vapor no vidro.
em como elas escorrem
e se procuram
para esquecer.
para desaparecer....

deixa as manchas pra lá...

afago do final

My dear,

meu querido
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estava pensando.
não. eu estava andando pelas ruas....
as luzes não me deixavam
des-perceber os limites
dos caminhos. mas os caminhos
se despertavam em ondas
gigantes. e eu via as luzes,
bocas gigantes me devorando,
fortalezas e objetos em 45 graus.

um horizonte de pensamentos
passados me assaltavam na
porta do sinal. e lá estava eu
solitária caminhante
passarela de instintos
des-percebidos pela
realidade contagiante.

ah, e minhas fantasias.
eu pensava, o que fazer com elas
à distância dos sentimentos
concretos? se eu e você, em verdade, não
estávamos lá.... quem estaria?
Quem será esse outro ser imáginario que
me habita? que inventa aqui um novo
caminho, uma nova rua, coisa moles
e objetos tão desconcertantes...

eu quebrei o brinquedo que
você me deu. Nào porque eu
não gostasse mais dele,
e sim porque você não estava mais nele.
o brinquedo era um extensão
neuronial-abissal-
riso solto de você.

mas as molas ainda existem.
neste momento,
são elas que me lembram você.
não ache graça,
mas são as molas que diminuem esse gosto
de fruta da infância que me traz a distância:
dos desejos.
as molas me fazem rir e chorar.

é com isso que eu vivo!