quarta-feira, 25 de julho de 2007

entre

não sei mais pra que serve
um monte de coisa que serve pra outras coisas.
eu não sirvo em ser dura,
ser moldura,
em estar sempre nas conjunturas.
me cansam as estruturas.
eu quase não caibo em mim.
me entorto
pra ter outros olhos.
me fujo pra não "ter que"
quando mais percebo o "que".
tem sempre um que. e um monte de que-zinhos
esperando a ligação....
fiz uma ponte entre o azul o rosa e minha vocação
eu acho que sirvo no azul e rosa com asas
eu acho que sirvo no entre.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

nada em alguém

aérea.
hoje eu não quero ser nada
pra ninguém.
mas eu fui.
partículas de grão.
tudo se reuniu
em culto ecumênico
pra celebrar a voz do amor em mim.
me drama,
me chama
de areia viro mar
pra te transformar.

o passado me dissolve
sem tentação.
colho conchinhas no ar,
jasmim, camomila...
plantação.
colheita de ares sem glamour
sonhos que se alteram a cada
passo no chão.
chão.
estou aqui.
tanto aqui para todos os lugares.
presença de ausência
para corporificar
o gesto de amar.

um senhor de barba antiga
passou por mim


(instantes depois)
uma mãe e uma filha

(sem tempo)
estou parada. sem acentos.
sem gravidade.
só observação.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

caminho

tenho alguns recursos
pra cena:
um corpo,
algumas tirlhas com pedras, tijolos
e água.
um som sem som.
movimentos
sem pausas,
sem respiraçào.
um cinza tóxico no ar.
um lago abaixo dos pés.
uma multidào assistindo embaixo.
não é um assassinato,
nem é uma investigação.
é uma possibilidade.

move

vou escrevendo
assim
enquanto
movimento
no entanto
são tantos
os momentos
em um corpo só
só, mi, ré, dó.
na contra-mão,
no pé da mesa,
na palma da mão,
com a cabeça fria,
ao redor do umbigo:
tudo é proibido.
mas quem tem acesso livre
no território da loucura
de ser gente.
não ultrapasse,
zona de perigo.
ser gente pode,
ser humano não.
uma não, passa boi passa
boiada....
só não passa...
com a cabeça quente,
com o sangue fervendo
com o ranger dos dentes...
somos bicho-gente-multidão-um-só
música estridente no meio avenidas multicoloridas
de percurso tão incerto quanto o certo.
move vontade. pra que lado mesmo?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

a vontade move

anunciação da vontade
linhas curtas
sem arestas
algumas brechas
...
lapsos de desejo
escondidos em pingos
como pequenas vozes
sussurros em pontos
vazios.
a vontade move.
de pequenos vazios
para crateras abertas
no espaço do querer

quarta-feira, 11 de julho de 2007

ainda bem

ainda bem
que eu te ouvi.
ainda bem
imaginei.
ainda bem
sonhei.
mas, olha,
eu não te vi.
que ainda bem.
bem, eu preferi
ficar. não ceder
à fantasia.
mas, meu bem
ainda penso.
ainda penso bem.
mas às vezes,
bem torto.
pensamento meio mole, ainda bem.
que me desnorte,
que me desforme.
meu mote é o bem.
eu quero um bem-amor.
bem-te-vi.
bem-me-vi.
me vejo,
ainda bem.

domingo, 1 de julho de 2007

diário aberto no momento agora
instante de agonia pluvica
chove palavras numa folha suja
limpa minha cara oculta
agora não...
daqui a pouco tudo será silêncio e solidão.
vai embora, emoção
de não ter o que dizer
de ter muito sangue pra escorrer
pra escolher cada letra
é preciso coragem, não coração
sim intenção.
vai longe...
as folhas balançam na frente
de um poste apagado.
acende o verbo então...