sexta-feira, 29 de junho de 2007

uma história de amor

1. ela queria tocar; então ela sonhou.
1.1 ela queria acordar; mas não podia (demasiado profundo).
1.2 ela queria viajar; mas assistiu ao pôr-do-sol.

2. eles não se viam; mas se queriam.
2.1 o desejo queria lutar; e a luta nem sabia o que enfrentar.
2.2 o olhar viu coisas que não estavam ali; e as coisas estavam no corpo.

3. as coisas no corpo criam histórias; e uma mesma coisa pode derivar de outras e derivar outras. por isso é coisa.

4. o amor é uma coisa; vou contar uma história de amor.
4.1 mas não sei por onde começar; pelo pé? pela mão? talvez pelos olhos...
4.2 eu pintei minhas unhas de rosa; eu quis colocar alguma coisa em mim? será que me falta amor ou quis externalizar todo corpo de amor em mim?

5. corpo de amor; corpo de dor. será que é preciso definições?
5.1 por/que tantas vezes o amor é dor e vice-versa. a coisa do amor que não se sabe, mas é.

6. vou contar uma história de amor que não se sabe, mas é. mas é preciso olhar pelo buraco, pela fresta, pelo canto dos olhos, pelos poros.
6.1 ah, é preciso sentir. será que estou preparada? eu pintei minhas unhas de rosa. tomei um banho demorado. escutei minha respiração. e o filme - da história - continua sendo construido aqui dentro.

7. talvez eu não possa contar a história, entende.
ela tem medo de mim. eu me preparo, eu a vejo aqui dentro. mas ela hesita, tem receios. consigo alguns momentos...
7.1 acho que descobri. a história que quero contar não tem começo ou fim. é sempre a primeira página de um livro.
7.2 é o amor-embrião; é o amor-chão; é o amor- no silêncio dos poros; é o amor mudo. amor vão.
7.3 é o amor que queria sair, mas não conheica lá fora. porque é um amor fora-de-si.

8. mas o amor não pede licença. não manda telegrama.
8.1 esta história é uma invenção que transborda de intenção. não precisa de livro; linha; vírgula; é um desenho de criança que nunca foi guardado.

9. eu não me lembro mais da história, eu esqueci.

10. eu me lembro de você. de cores, toques, de cheiros, gestos, de sons. encontros e desencontros. mas isso é uma história?

fecha os olhos.
o que?

domingo, 3 de junho de 2007

assalto de pessoalidade;

o peito cheio de emoção;
coração como uma vitória-régia;
é um assalto: me dá você, mesmo!
-assalto de pessoalidade?
1. órgão público
2. corpo político
3. uma história: "um braço preso na porta do ônibus. O senhor estava saindo do ônibus e o motorista fechou a porta de trás com o braço dele dentro. Gritos. Exaltação. Dor. Gritos. Preso pelo braço! Desatenção?
- acaso ou descaso?
- o corpo é de quem?
- as cosias se adaptam aos corpos ou os corpos se adaptam às coisas?
- o que é um corpo?

4. relação entre partes...agarrado, junto, colado, misturado, encontrado?

haikais

o meu amor
é nosso
mar e sol.


o dia
claro
clara
voz
voz
que
não
cala.


sol
cai
dor
paz