domingo, 22 de janeiro de 2017

chapéu

dentro bem dentro do castelo tem um floresta.
dentro bem dentro da floresta tem um céu.
dentro bem dentro desse céu mora um tesouro.
dentro bem dentro desse tesouro tem um eco.
dentro bem dentro desse eco tem um oco.
dentro bem dentro desse oco tem uma vontade.
dentro bem dentro da vontade tem a vontade.
a vontade bem dentro da vontade tem eu.
eu bem dentro do eu tem nós.
nós lá no fundo de nós tem eu e você.
e juntando isso tudo tem história.
e dentro bem dentro de cada história tem ligação.
cada ligação tem verdade e mentira. mentira e verdade.
bem dentro de cada mentira, tem verdade.
lá no fundo de cada verdade, tem mentira.
porque tem ligação com nós, com história, com céu,
com floresta, com eco. e o oco.
o eco do oco. ou o oco do eco.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

vagarosa.
a rosa.
abracou o vento,
encolheu.
náo h[a gesto mais natal
que recolher.
cada petala que voou
mas o talo nao secou/
vagarosa.
o vago instante.
olhou/
vagamente talhou
um tempo.
e a cada gesto de caule
caudaloso acontecimento.

sábado, 7 de novembro de 2015

pueril. avalanche. terremoto. arrasto, descasco, amasso.
sem descanso. balanço. avanço.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015


pra palavra virar ato. pro ato virar gesto. pro gesto virar memória.
pra memória virar registro. pro registro virar arquivo. pro arquivo
virar papel. pro papel virar folha. pra folha virar vento. pro vento virar
o tempo. pro tempo virar. pra virar o tempo eu tento virar o que o tempo
vira. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

a mãe do mundo
a mando de um senso pontudo
encheu de razão o sentido
deste alvoroço que cresce de tudo.

o mundo na mão
bola de cristal
algodão
doce de tão doce
que azia, contudo.

o miolo do pão
dando a casca contradição
dá o poder do que não pode senão
no escuro:


gesto de ação
que festa
gestação.

domingo, 28 de dezembro de 2014

pé sem cabeça

Então, em um ato súbito de lentidão, começou a caminhar.
Primeiro, em passos bem curtos e ritmados, como se estivesse tentando chegar à solução de um problema matemático. Em seguida, embaralhando os números, seus passos se descompassavam e as passadas se fizeram mais largas e com intervalos irregulares. As lacunas de uma teoria infundada e afundada em múltiplas direções.


Primeiro, pensava, deve-se selecionar e circundar os elementos desta problemática. Em seguida, deveria fazer tantas combinações possíveis entres os elementos. Seguindo este método, pegou os elementos que tinha a mão ou, melhor dizendo, em seus pés, e foi misturando misturando a tal ponto que seus pés foram se multiplicando e já quase não existiam, ou melhor dizendo,  se transformaram em pontes, estradas, curvas setas horizontes. 

TODO
Todo esse relevo não significava nada.
Fincou um pé no chão e ali escreveu.
Parte 1: Problema não tem solução tem construção.
Enquanto isso o outro pé fazia dançar os dedos fora do sapato a fim de coordenar melhor os sentidos de cada direção. Dedo 1, dedo 2, dedo 3...

FORA
Parte 2: Um corpo tem dois pés e uma cabeça. Ou um problema vem do dois ou dois problemas vem de um.  Um dois um dois um...

PARTE
Parte 3: Um problema não tem partes. Tem fases?
Enquanto calçava o sapato, viu passar uma pessoa que havia sido vizinho na rua onde morava. Quis acenar com as mãos, mas elas estavam finalizando o laço. Então fez um leve movimento com a cabeça e um breve descolar dos lábios em ato de simpatia.

A CENA

Seguia caminhando e, de repente, tropeçou. O dedão inchou. Devidas às proporções, dedão tal qual cabeça. Pensou.